A atualidade da mensagem de Fátima I

As aparições de Fátima surgiram como uma irrupção da luz divina nas trevas e nas sombras da história humana. No início do século XX, ecoou, desde a Cova da Iria, o convite a um encontro com o Deus da misericórdia, recordando a Boa Nova do Evangelho a um mundo entrincheirado em conflitos e sedento de uma palavra de esperança e paz.

O dia era 13 de maio de 1917. Após participar da Santa Missa na igreja de Aljustrel, pequeno vilarejo de Fátima, Lúcia de Jesus (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), foram as terras do pai de Lúcia, na Cova da Iria, pastorear um rebanho de ovelhas. 

Após verem como que um clarão de relâmpago, num céu sereno e luminoso, apareceu-lhes a Mãe de Deus, sobre uma azinheira com pouco mais de um metro de altura. Irmã Lúcia, uma das três videntes, assim descreveu a Santíssima Virgem que naquele dia lhes aparecera: “era uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”.Conforme o relato das crianças o semblante da Virgem era de uma beleza inenarrável, transmitia-lhes serenidade e alegria.

As aparições iniciadas em 13 de maio estenderam-se até 13 de outubro. Grandes sinais miraculosos aconteceram diante das pequenas crianças, sobretudo na última aparição. Porém, muito mais do que centrar-se nos eventos prodigiosos ocorridos nas aparições é preciso focar nossa atenção na mensagem de Fátima.

Não somente aos homens e mulheres da época, aterrorizados pela Primeira Guerra Mundial, que a mensagem de Fátima é significativa. O passar dos anos não fez sua importância diminuir, pois é visível diante de nós um cenário mundial muito semelhante ao de 1917. O avanço científico e tecnológico que prometia sanar com todos os problemas e dificuldades humanas não nos poupou de um novo momento crítico na história da humanidade: guerras despontando; armas químicas; fome; violência; escravidão; migrações forçadas; fronteiras fechadas; xenofobia.

A mensagem de Fátima pode ser uma possível resposta aos desafios que enfrentamos em nossos dias. A solução aos males do nosso tempo, certamente, não virá de grandes ações políticas ou de empreitadas militares, mas somente através da transformação dos corações. 

Se hoje ainda há guerra no mundo é porque o ser humano ainda importa-se somente com o poder e o lucro. Se ainda há fome no mundo é porque ainda não experimentou viver a partilha e a solidariedade. Se ainda há violência é porque ainda não descobriu o valor da paz. Se ainda há xenofobia é porque ainda não apreendeu a respeitar e acolher a diferença do outro. Se ainda não há acolhida e receptividade é porque ainda vê a si próprio como superior ao seu semelhante.

O pedido da Virgem de Fátima de rezarmos pela paz é um caminho, porém apenas dobrar os joelhos pedindo pela paz não é suficiente. É preciso estender nossos braços em acolhimento aos outros, aceitando e respeitando sua diferença. É preciso abrir nossos olhos para perceber as reais necessidades do próximo e irmos ao seu encontro, tornando-nos próximos a ele. É preciso abrir nossos ouvidos para acolher a palavra do outro, dando-lhe a primazia e deixando-se tocar pelo seu clamor. É preciso abrir nossos lábios para anunciar a esperança, ajudando aqueles que a perderam a redescobrir o sentido de sua vida. Por fim, é preciso levantar e trabalhar juntos na construção da paz, da solidariedade e do amor, de um novo mundo possível.

Por Pe. Douglas Carré

Pároco da Paróquia N., Sra de Fátima

Publicada em 12/06/2017 às 08:47:38

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