Maria na tradição da Igreja

No início do cristianismo está uma experiência com a pessoa de Jesus Cristo. Ele veio da parte do Pai com a missão de revelar o amor misericordioso e anunciar, com palavras e obras, o Reino de Deus.

Nesta experiência com Jesus, o Filho de Deus, está a formação de uma comunidade de discípulos, que estiveram mais perto Dele, tiveram ensinamentos mais aprofundados, fizeram refeições com Ele, participaram das orações comunitárias e viram que muitas vezes Ele rezava sozinho ao Pai.

Após a ressurreição, esses discípulos foram enviados pelo Espírito (At 2,1-13) para anunciar que o Cristo foi crucificado, morto e sepultado, mas Deus Pai o ressuscitou e o constitui Senhor e Cristo (At 2,14-36).

Por quase 20 anos não havia nenhum escrito bíblico depois da morte e ressurreição de Cristo até que, no ano 51, Paulo escreve a primeira Carta aos Tessalonicenses, sendo esse o primeiro documento do Novo Testamento. Paulo escreve cartas até o ano 64, quando sofre o martírio. O primeiro evangelho a ser escrito é o de Marcos, pelo ano 65, seguido do Evangelho de Mateus pelo ano 80, o de Lucas pelo ano 85 e o de João pelo ano 90.

As escrituras bíblicas, obras do Espírito Santo, também são obras de uma Tradição oral. Antes de serem escritas, elas foram vividas, meditadas, fizeram parte de orações e composições de hinos, provérbios, frases de impacto guardadas e lembradas pela comunidade de fé. A Tradição Viva da Igreja agrupou o que circulava nas primeiras comunidades cristãs e compôs o que hoje conhecemos como o Novo Testamento.

Maria, a mãe de Jesus, é citada em muitas passagens da Bíblia. Pela Bíblia, sabemos que era uma virgem da cidade de Nazaré, prometida em casamento a um homem chamado José, e que ela gerou o Filho de Deus pelo Espírito Santo. Que ela esteve presente com o filho nos grandes acontecimentos da vida Dele. Do primeiro milagre, em Caná na Galileia (Jo 2,1-12), até a sua condenação e morte, em Jerusalém (Jo 19,25).

Após o período apostólico de pregação e anúncio daqueles que conviveram diretamente com Jesus, surge o período pós-apostólico, daqueles que não conviveram com o mestre mas ouviram falar dele. Nesse período, a figura de Maria se fortalece como exemplo para o seguimento de Jesus. A Igreja, comunidade dos discípulos missionários, é a chamada de Mãe que gera seus filhos pela água e pelo Espírito, no batismo e, aos poucos, Maria vai surgindo como mãe espiritual dos filhos da Igreja.

Toda a instituição, quando cresce, precisa resolver as novas questões que vão surgindo. Assim, a Igreja foi instituindo ministérios segundo a vontade do Espírito Santo, dividindo as atividades e clareando as verdades sobre a fé que eram questionadas pelos de fora e mal interpretadas até mesmo por quem fazia parte da comunidade. Defendendo a fé e combatendo as heresias, a Igreja, auxiliada pelo Espírito Santo, definiu que, em Jesus, a humanidade e a divindade formam uma unidade indivisível. Portanto, Maria, sendo mãe de Jesus segundo a carne, também pode ser chamada de “Mãe de Deus” (dogma da Mãe de Deus).

Sobre a divindade de Cristo e seu nascimento, a Igreja deixou claro que Maria concebeu virgem, todavia, permaneceu virgem durante e depois do parto (Dogma da Virgindade Perpétua de Maria).

No decorrer da história, a comunidade de fé já dizia que a mãe de Deus era tão pura que não tinha o pecado original. O Papa Pio IX decidiu declarara oficialmente essa verdade de fé (Dogma da Imaculada Conceição).

Por fim, a comunidade de fé tinha por confiança de que, no final de sua existência, o Filho Jesus não teria deixado sua mãe, mas teria conduzido ela para junto de si, de corpo e alma (Dogma da Assunção de Maria).

Sendo a Igreja, esposa de Cristo, onde o Espírito Santo distribuí os carismas e revela toda a verdade, por meio da Tradição Viva da Igreja, a fé em Jesus e a participação de Maria na obra de salvação do seu Filho chegou até nós.

Por Pe. Eliseu Lucas de Oliveira

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Ajuricaba

Coordenador da Pastoral da Juventude

Publicada em 12/06/2017 às 08:54:49

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