Família, a célula essencial da sociedade humana

Artigo: A família sempre representou a célula essencial da sociedade humana e o casamento é o sacramento cristão que torna essa relação legal diante de todos. No entanto, com o passar dos anos e a incorporação de novos valores devido às mudanças ocorridas no mundo, principalmente por conta da informatização e da abertura de mercados através do acesso das pessoas às mídias modernas, a concepção de família foi se modificando e a Igreja Católica precisou se adequar a essa nova realidade.

O casamento, que era antes de Jesus Cristo um simples contrato, passou a ser um sacramento da Nova Lei. Segundo registros históricos, não se pode situar nem o tempo nem o lugar em que Jesus Cristo instituiu este sacramento. Para alguns teólogos, as bodas de Caná foi um marco (Jo 2,1-11), conforme o relato da passagem bíblica. 

Em Mc 10,5-9Jesus mostra que a Lei cede às conveniências humanas e na discussão com os fariseus lembrou que Deus fez o homem e a mulher e por isso ao unir-se formarão uma só carne e que não é permitido ao homem separar o que Deus uniu. 

Outros, ainda, afirmam que o casamento foi instituído depois da ressurreição e promulgado por São Paulo, na carta aos Efésios (5, 25-33). 

“Pouco importa o tempo e o lugar, o certo é que o matrimônio foi por Nosso Senhor elevado à dignidade de Sacramento, como resulta positiva e irrefutavelmente da Sagrada Escritura: "Não separe o homem o que Deus uniu" (Mt 19, 6)

Este mistério, ou Sacramento, é “grande em relação a Cristo e à Igreja”, segundo São Paulo (Ef5, 32). Assim, no entendimento advindo das palavras de Jesus Cristo, o casamento é uma instituição divina, e como tal deve se manter indissolúvel e única. 

Percebe-se que o momento histórico atual da família é o resultado das imensas, profundas e rápidas mudanças e transformações da sociedade e da cultura, especialmente devido à ação e influência dos meios de comunicação social que atuam abertamente nos hábitos, valores, costumes e comportamentos humanos. Assim, a família, muito mais do que qualquer outra instituição, tem sido questionada e cercada de muitas forças que procuram exterminá-la ou mesmo descaracterizá-la através de interrogações acerca do seu modelo de existir. 

Com base no Documento de Medellin tem-se que 

[...] diante desse panorama, já não existe um só modelo de família. A família é na realidade, o conjunto de vários tipos de família, surgindo um fenômeno que se alastra em todos os níveis sociais.

A Carta Pastoral sobre a Família de 1984, nº 1, afirmava que

[...] a família é o ponto de partida das demais sociedades (…). É que sem família não há Nação, não há Estado, não há Igreja. (…) A Família é o ponto de partida de toda a vida social, é o ponto de encontro, o centro aonde vêm repercutir o fluxo e o refluxo da vida em todas as suas dimensões. 

Sabemos que a família representa o núcleo fundamental da organização da sociedade e objeto da proteção do Estado. Da mesma forma ela é o núcleo que deve cooperar para o desenvolvimento harmonioso e equilibrado de todos os seus membros, de modo que cada um possa realizar plenamente a sua personalidade e as suas aptidões, no interesse de toda a sociedade.

Olhando atentamente para as nossas famílias, e tendo como alvo, sobretudo as do período pós-independência, vê-se que, antes do recrudescimento da guerra, o matrimônio tinha um grande valor, e era respeitado por todas as camadas sociais. Do camponês ao operário e do funcionário ao dirigente, todos viam nele o ponto de partida para o surgimento de uma nova família. Sua preparação envolvia os familiares dos dois jovens pretendentes e muito seriamente.

A família é uma comunidade de pessoas, é o “fundamento e célula vital da grande e universal família humana, célula primeira e vital da sociedade” (GS 52). Logo, pode-se dizer que a família prefigura a coesão interna e a qualidade moral da sociedade inteira. Uma qualidade que é necessariamente a garantia social dos valores éticos e humanos (FAMÍLIA, 2010).

A família é uma célula porque é nela que nascem e são educados os filhos para o bem da sociedade e da Igreja. Daí, o vínculo existente entre a família e a sociedade. A família é garantia da vida moral da sociedade, como a sociedade deve promover e assegurar os direitos da família (FAMÍLIA, 2010).

Para o bem da sociedade é conveniente que se leve em conta a função fundamental da família, porque dela “nascem os cidadãos e estes encontram nela a primeira escola de virtudes sociais que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade” (FC 42).

Entretanto, é importante saber que a família é anterior à sociedade. A sociedade inteira brota da instituição familiar e, em certo sentido, depende dela. 

O Papa São João Paulo II fez um chamamento para que as famílias do mundo todo buscassem se reencontrar e descobrir suas verdades através de uma frase pequena, mas carregada de significado: “família, torna-te aquilo que és”. 


Por Pe. Ari Pedro Braganholo

Reitor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Fátima

e Pároco da Q. Paróquia São Marcelino Champagnat

Publicada em 10/08/2017 às 14:04:32

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