Natal do menino Jesus

Muitas crianças já não conhecem a história de Jesus Cristo. Adultos que já ouviram falar do Salvador da humanidade, ainda não fizeram uma experiência de encontro com o Crucificado/Ressuscitado capaz de dar um novo sentido às suas vidas. No campo social, a corrida pelo dinheiro e pelo consumo reduz o tempo das pessoas, suas possibilidades de relacionamento e de convívio. O sistema econômico neoliberal criou uma‘sociedade dos indivíduos’ vivendo em uma arena de competição na escalada do sucesso profissional. Resultado disso é um empobrecimento afetivo e incapacidade de empatia (se colocar no lugar do outro). Na escala da convivência entre as nações, reina o medo do estrangeiro (ameaça de terrorismo) e o aparelhamento militar com armas capazes de destruir a humanidade. Diante deste cenário dos tempos atuais, o que o menino envolto em faixas, na cidade de Belém, tem a nos ensinar?

Ele não era apenas mais uma criança que veio ao mundo. Era o Filho amado de Deus (Mt 3,17). O envidado do Pai (Jo 20,21). Não somente um filho, mas Ele tinha a mesma natureza divina. Era o próprio Deus que existia antes mesmo da criação (a segunda pessoa da Trindade). Portanto, Ele era o Todo-Poderoso, que esteve na criação do céu e da terra (Jo 1,1). Para Ele todas as coisas foram criadas (Cl 1,16).

O poder de Deus, sua onipotência se revela, sobretudo, na misericórdia. Diz o catecismo da Igreja Católica, no número 270: “Deus é o Pai Todo-Poderoso. Sua paternidade e seu poder iluminam-se mutuamente. Com efeito, ele mostra sua onipotência paternal pela maneira como cuida de nossas necessidades, pela adoção filial que nos outorga (‘Serei para vós um pai, e sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso’: 2Cor 6,18), e finalmente por sua misericórdia infinita, pois mostra seu poder no mais alto grau, perdoando livremente os pecados”. 

O Deus que criou tudo e pelo qual tudo foi feito, desceu e assumiu a condição humana, tornando semelhante às suas criaturas, sem deixar de ser Deus. A carta aos Filipenses diz: “Ele, existindo em forma divina, não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deus,mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fl 2,6-7)

Seu nascimento, em meio à pobreza e simplicidade da gruta de Belém, é o cartão de visita que ilumina a sua missão. Ele veio para servir (Mc 10,45). Ele se fez um servo. Colocou-se no último lugar e ensinou a cada um de nós, seus seguidores, a não assumir o primeiro lugar. “Porque os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,16).

Em meio ao atual cenário da busca do poder através do acúmulo financeiro, da capacidade de consumo, da corrida armamentista, o Natal oferece o exemplo do menino Jesus que se esvazia, desce até o lugar mais simples e humilde. A onipotência de Deus se apresenta na criança indefesa em meio aos animais. Porque o poder de Deus não está na força do dinheiro, nem das armas;está na esperança de quem tem fé. “Pois, quando estou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

Por Pe. Eliseu Lucas de Oliveira

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo

Ajuricaba - RS

Publicada em 11/12/2017 às 16:43:33

Mitra Diocesana - Rua Duque de Caxias, 729 - Cruz Alta RS, 98005-200 - (0xx)55 3322-6920