O Natal continua

Com a celebração da Epifania e da Festa do Batismo do Senhor, nos despedimos das festividades natalinas. Encerram-se as celebrações, mas permanece seu sentido, em todos os dias do ano. 

Em primeiro lugar, é importante recordar que o Menino Jesus que contemplamos no presépio, com Maria e José, é o mesmo Jesus de Nazaré, o Cristo, que pregou o Evangelho do Reino de Deus, foi morto na cruz e ressuscitou para nos salvar. A fé cristã sempre parte de Cristo. Não são fábulas inventadas ou grandes teorias, mas um personagem histórico, cujo nascimento se deu no tempo de César Augusto, o qual ordenou que, sob Quirino, se fizesse um recenseamento na Síria (cf. Lc 2,1-3). Portanto, um evento que tocou a história humana e seu significado abarca todos os tempos e, ao mesmo tempo, nos remete ao Emanuel, Deus conosco.  Nele Deus mostrou seu rosto, revelou seu amor por nós, “trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascendo da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado” (Gaudium et Spes, n. 22). Como nos diz São Leão Magno: “Hoje, o verbo de Deus apareceu revestido de carne; a natureza que nunca fora visível aos olhos humanos começou a ser até palpável” (Sermão de Natal 6).Portanto, o lugar para encontrarmos Deus e vivermos nossa fé é Jesus de Nazaré, Filho de Deus, nosso Salvador. 

Deus não tem medo de entrar na realidade humana, de nos visitar, e qual Bom Pastor, vem em busca da ovelha perdida. É próprio de Deus sair de si e vir até nós, caminhar conosco, partilhar nossa vida, ouvir nossos problemas e alegrar-se conosco. Ele desceu e viveu a humildade do esvaziamento, pois “não se apegou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fl 2,6-7). Deste modo de ser de Deus, revelado a nós no Natal do seu Filho, decorre que só é possível ser cristão, seguir os passos de Jesus Cristo, se nos fizermos humildes, vencermos a indiferença e entrarmos nas realidades do mundo. A fé é uma luz que tudo ilumina. Para os cristãos, “não há nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração” (GaudiumetSpes, n. 1). O caminho é fazer-se próximo. A característica de ser é a humildade. O modo de agir é a misericórdia. O olhar preferencial se volta para os que mais sofrem. É a espiritualidade da encarnação. 

O Natal nos recorda que a pessoa humana tem uma dignidade incomparável. Ela é sagrada, pois quando Deus assume a nossa humanidade, une, em si, a todos os homens e mulheres de todos os tempos. Em Cristo, Deus assumiu toda humanidade. Há, portanto, uma fraternidade que antecede e move a solidariedade e a busca da paz. Nele todos nos reconhecemos, estamos vinculados por um elo que precede nossas diferenças culturais, econômicas, políticas e até religiosas. Jesus inaugura um Reino aberto a todos os povos. Cegos, coxos e leprosos são convidados para o banquete. Procura os publicanos e os pecadores: veio também para eles. Alegra-se com os que têm fé e o acolhem. Enfim, Cristo é luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação.

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta

Publicada em 03/01/2018 às 15:26:58

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