A SOCIEDADE PÓS-MODERNA (IV)

No início da era do conhecimento, quando o amplo acesso às informações coloca as pessoas diante da multiplicidade de valores, muitas vezes conflitantes entre si, gerando mais incertezas do que certezas; quando tudo se volatiza face à rapidez das mudanças; quando se cobra cada vez mais a responsabilidade individual e social das pessoas, sem que no entanto essas pessoas saibam em quem possam confiar e a quem responder por seus atos, a questão do certo e do errado, do bem e do mal, ou seja, da ética e da moral, se lhes impõe como inevitável.

Nas empresas, prevalece a percepção de que, neste mundo volátil, os valores éticos de seu quadro de colaboradores são uma das poucas condições perenes que pode contar para fazer face aos desafios do futuro e têm incorporado explicitamente esses valores em seus modelos de gestão estratégica. O Papa Bento XVI, em seu discurso inaugural da Conferência de Aparecida, “vê a globalização como um fenômeno de relações de nível planetário, considerando uma ‘conquista da família humana’ [...] ao mesmo tempo, a globalização se manifesta como a profunda aspiração do gênero humano à unidade” (CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Texto conclusivo. São Paulo: Paulinas/Paulus, 2008, 60).

Na Política, ao perder-se em sua prática, frequentemente, a percepção do princípio fundamental de que existe para prover o bem comum a toda a sociedade, promove-se a descrença no cidadão que aspira por transparência e por ética no trato da coisa pública. “Constatamos um certo progresso democrático que se demonstra em diversos processos eleitorais. No entanto vemos com preocupação o acelerado avanço de diversas formas de regressão autoritária” (APARECIDA, 74). O resultado das últimas eleições no Brasil traduz claramente essa aspiração: o povo votou pela ética na política. O quadro atual suscita, outrossim, sérios questionamentos em todo o mundo sobre a liderança moral em vários países, como pondera o Documento de Aparecida: “uma democracia sem valores [...] torna-se facilmente ditadura e termina traindo o ppovo”(APARECIDA, 74).

Vale ressaltar que na própria Justiça, a percepção cotidiana de sua incapacidade de assegurar a plenitude da dignidade e dos direitos humanos induz as pessoas a interrogarem-se permanentemente sobre a consistência de sua condição de cidadania. “[...] o sistema judiciário que muitas vezes, inclina seu juízo a favor dos poderosos e gera impunidade, o que coloca em sério risco a credibilidade das instituições públicas e aumenta a desconfiança do povo, fenômeno que se une a um profundo desprezo pela legalidade. Em amplos setores da população, especialmente entre os jovens, cresce o desencanto pela política e particularmente pela democracia, pois as promessas de uma vida melhor e mais justa não se cumpriram ou se cumpriram só pela metade” (APARECIDA, 77).

É viável tratarmos de ética e moral na sociedade pós-moderna? Afinal o que é ética e moral? (Responderei esta questão na próxima Edição! Abraços!)


Pe Magnus Camargo da Silva


Publicada em 13/11/2014 às 06:11:44

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