A formação dos agentes de pastorais leigos

Um dos grandes méritos do Concílio Vaticano II foi redescobri o valor e a importância da vocação e dos ministérios dos fiéis leigos na Igreja. Nossa diocese de Cruz Alta tem uma bela trajetória de reflexão e prática quanto a valorização destes ministérios, pois ela acredita que investindo na formação dos agentes pastorais leigos fomentaremos uma Igreja ministerial onde todos tenham oportunidade de viver sua vocação a serviço da evangelização em vista da construção do Reino de Deus.

Destacam-se em muitos documentos, como por exemplo, no Documento de Aparecida, a preocupação da Igreja em capacitar, promover e formar discípulos e missionários a partir do seu encontro pessoal com Cristo que, como consequência deste encontro, venham a responder às demandas da sociedade atual, iluminando-a com a luz do Ressuscitado. Sabemos que muitos passos já foram e continuam a ser dados em vista deste objetivo, contudo é necessário provocarmos, ainda mais, a discussão sobre a necessidade de formação teológica dos discípulos de Jesus, quer para o exercício dos ministérios eclesiais e das práticas pastorais, quer para a transformação da sociedade através da inserção na política e nos cargos públicos. 

Além de dar um referencial teórico sobre teologia, a Igreja é chamada, a partir do estilo e da pedagogia de Jesus, a aprimorar sua metodologia e acompanhar o processo de formação dos discípulos em todas as suas dimensões: humana, espiritual, intelectual, comunitária e pastoral-missionária. Formar seres humanos integrais a partir da Boa Nova de Jesus é o grande desafio, para não cairmos na tentação de distanciar fé e vida.

Percebemos que, quem sabe o mais importante de tudo, é preciso resgatar o itinerário bíblico de formação dos primeiros seguidores de Jesus que partiram da atração e do fascínio pela pessoa d’Ele. As etapas dessa caminhada basicamente são: a experiência pessoal de fé, a vivência comunitária, a formação bíblico-teológica e o compromisso missionário. 

A missão da Igreja é ajudar seus membros a se encontrarem com Cristo, e assim reconhecerem, acolherem, interiorizarem e desenvolverem a experiência e os valores que constituem a própria identidade e missão cristã no mundo. A formação teológica contribui para ajudar na compreensão, no aprofundamento e na vivência do discipulado. Teologia e pastoral são dois campos do conhecimento a serviço da mesma causa, isto é, do processo evangelizador. A teologia ilumina a pastoral. Fornece conceitos e categorias que ajudam a fé a purificar-se e fortalecer-se. Fornece instrumentos teóricos para a compreensão dos dados da fé, bem como chaves interpretativas para ler, à luz da fé, qualquer realidade humana: o trabalho, o lazer, a sexualidade, entre outros. A pastoral ilumina a teologia, pois a coloca questionamentos que possibilitam aprofundar a compreensão da fé revelada. 

A ação pastoral requer, do ponto de vista do agente pastoral, uma série de qualidades e aptidões: paixão pela causa do reino, presença fraterna junto às pessoas, sensibilidade para comungar com elas em seu sofrimento e em suas alegrias, metodologia eficaz e participativa. Do ponto de vista da comunidade, isto é, da Igreja, requer: planejamento, organização, metodologia e sensibilidade para trabalhar, sobretudo, com o diferente.

Apaixonado pela causa de Jesus e iniciado no processo formativo, cabe, então, ao discípulo missionário não deixar-se acomodar. A busca constante por formação e aprofundamento das verdades da fé são fundamentais para tornar o testemunho de vida, cada vez mais, autentico e configurado ao projeto do Reino de Deus.


Seminarista Douglas Carré

Publicada em 05/12/2014 às 10:54:20

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