“Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado”


            As palavrasda Carta de Pedro nos dão o significado da missão episcopal: “Apascentai orebanho de Deus que vos foi confiado, cuidando dele, não como por coação, masde livre vontade, como Deus o quer, nem por torpe ganância, mas por devoção,nem como senhores daqueles que vos couberam por sorte, mas, antes, como modelosdo rebanho.” (1Pd 5,2-3).

            O ministérioepiscopal, em primeiro lugar, pertence à realidade da fé. Ele não é somente ummandato, um cargo ou uma promoção para exercer uma função. É uma vocação, umchamado de Deus, na comunhão da Igreja.É um sacramento. A plenitude dosacramento da ordem. Por meio desta consagração, é inserido no colégioepiscopal, como sucessor dos apóstolos. Ressoa nele as palavras que osapóstolos ouviram: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornemdiscípulos.”(Mt 28, 19). Fazer discípulos de Jesus Cristo, formando “pequenascomunidades”, para que n´Ele nossos cristãos, sobretudo os que mais sofrem,tenham vida. Mais do que nunca é preciso anunciar a Palavra que “aquece oscorações” (Lc 24, 32), ilumina o caminho e renova a esperança.

            Movido porum amor incondicional a Cristo, recebe uma específica missão: “apascenta asminhas ovelhas”(Jo 21, 15.16.17). Apascentarsignificacuidar, nas palavras denosso Papa Francisco:“Os Bispos devem ser Pastores, próximos das pessoas, paise irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem apobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer apobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenhampsicologia de príncipes”. E acrescenta: “E o lugar do Bispo para estar com oseu povo é triplo: ou à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lounido e neutralizar as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém seatrase mas também, e fundamentalmente, porque o próprio rebanho tem o seu faropara encontrar novos caminhos.” Não é dono do rebanho. É servo.E o rebanho é aporção do povo de Deus do qual é constituído pastor: a Diocese. Este rebanhotem um rosto próprio. Tem sua história. Carrega sofrimentos e esperanças. Éformado por diferentes culturas. Nele se encontram os que estão bem e os quepassam por provações, doenças, pobreza. Sobre estes últimos o Senhor tem umolhar de predileção e o bispo também deve amá-los de modo preferencial.Neste rebanho estão as crianças, os jovens, os adultos e osidosos. Povo das cidades e dos campos. É a todo este povo que deve conhecer,amar, animar e servir.

            Recordo-meque, ao perguntarem a Dom Bruno Forte o que está em primeiro lugar na suamissão de pastor, ele respondeu: “Como pastor, o meu primeiro dever é o de orarpelo meu povo.” Que as ocupações exteriores não enfraqueçam seu cuidado com avida interior, recordava São Gregório Magno.Cheio de nomes, de pessoas e defatos se apresenta diante de Deus e, com a força do Espírito Santo, retorna aoseu povo. Aqui está a missão que o bispo recebe de santificar, sobretudo pelossacramentos. Ele expressa a unidade da Igreja diocesana, sobretudo, napresidência da Eucaristia, “sinal de unidade e vínculo de caridade”.

Sejam “modelos do rebanho” (1Pd 5,3).São Gregório Magno, na Regra Pastoral,diz que “o pastor tenha sempre uma ação exemplar que arraste: assim, com o seumodo de viver, indicará aos seus fiéis o caminho da vida, e o seu rebanho,dócil à sua voz e ao seu modo de agir, progredirá atraído mais pelos seusexemplos do que pelas suas palavras.” (n. 14).

            Apascentar étambém ir em busca da ovelha perdida. Para isto, faz-se necessário a coragem deuma “conversão pastoral”. Nossas comunidades precisam ser mais missionárias.Toda a ação da Igreja precisa assumir “um estilo evangelizador”, nos diz o PapaFrancisco. Abrir as portas para acolher e também abrir as portas para ir aoencontro de quem está afastado.

            Enfim,recebendo, pela imposição das mãos, o encargo de continuar a missão dosapóstolos, o bispo é colocado à frente de uma Igreja local. Age em comunhão coma Igreja presente no mundo inteiro. Anima a caminhada evangelizadora daDiocese, sendo elo de comunhão com as paróquias, padres, leigos e leigas,congregações religiosas, comunidades, pastorais, movimentos e serviços. Exerceo papel da paternidade espiritual e também personifica a maternidade da Igreja quegera, educa, orienta, nutre e conduz os seus filhos.


Artigo de Dom Adelar Baruffi

Divulgado no informativo A Voz da Diocese

do mês de março

Publicada em 19/03/2015 às 06:42:39

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