A 53º Assembleia Geral da CNBB

Dom Adelar Baruffi

Após um pouco mais de um mês de minha ordenação episcopal, participei, de 15 a 24 de abril, da 53º Assembleia da CNBB. Éramos quase 400 participantes, contando bispos diocesanos e auxiliares, bispos eméritos, administradores diocesanos, convidados e assessores. Destaco alguns pontos que me marcaram:

O lugar. O Santuário Nacional de N. Sra. Aparecida, que se prepara para celebrar os 300 anos de devoção à Aparecida, é um lugar onde convivemos com a igreja viva, com os romeiros que lá vão para encontrarem-se com a Mãe. Foi uma assembleia marcada pela fé, com momentos intensos de celebração, retiro e oração, neste tempo de celebração da Páscoa do Crucificado-Ressuscitado. Além da intercessão mariana, fomos convidados a ter diante dos olhos a lição de Aparecida, como nos ensinou o Papa Francisco: uma igreja simples, com meios pobres, presente na encruzilhada das estradas do mundo.

A comunhão eclesial. A Igreja no Brasil tem uma bela caminhada de comunhão. Ela se manifesta de várias maneiras. Sem dúvida, a Assembleia é a visibilidade maior desta comunhão. A presença de todos os bispos manifesta esta unidade. Representantes das mais diferentes expressões da vida da Igreja estiveram presentes com suas organizações: os leigos, os diáconos permanentes, os consagrados e os padres.A convivência fraterna e a acolhida respeitosa dos bispos, durante dez dias de intensa programação, aproximam ainda mais nossas dioceses. Somos convidados a alargar o nosso olhar para além das fronteiras de nossas paróquias, ao sabermos que somos a única Igreja de Jesus Cristo presente em cada Diocese etemos alegrias e desafios comuns.

As Diretrizes. A Assembleia aprovou as novas Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora, para o quadriênio 2015-2019. Não foram novas Diretrizes, mas uma atualização das atuais, iluminadas pela Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, do Papa Francisco e pelo Documento “Comunidade de Comunidades, uma nova Paróquia” (Doc. 100 da CNBB). Em sua Exortação, o Papa convida a Igreja a um “estilo evangelizador” (n.19): uma Igreja missionária, “em saída”, que priorize a evangelização, voltada para os mais pobres, com evangelizadores “com Espírito”. Foram mantidas as cinco urgências da evangelização: Igreja em estado permanente de missão; Igreja, casa da iniciação à vida cristã; Igreja, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; Igreja, comunidade de comunidades e Igreja a serviço da vida plena para todos. Nossas igrejas particulares são formadas por uma diversidade grande de expressão da fé de nosso povo. Porém, ao procurar ter diretrizes comuns de ação, a Igreja no Brasil concretiza ainda mais a comunhão eclesial. As Diretrizes nos ajudam a caminhar. Não somente caminhar, mas caminhar juntos, tendo objetivos comuns e priorizando o que é mais necessário. Assim, a ação evangelizadora é mais eficaz.

Os desafios. A Assembleia fez ressoar o compromisso da Igreja diante dos desafios do nosso tempo. Debruçou-se sobre a realidade atual do Brasil, apresentando uma palavra profética e propondo alternativas para uma sociedade mais justa e fraterna.Apontou a necessidade de uma reforma do atual sistema político e a superação da desigualdade social estrutural. Olhou para a vocação e a missão dos leigos e leigas na igreja e no mundo.Colaborou com propostas para o Sínodo da Família.

As eleições. A Assembleia elegeu a Diretoria da Conferência, as 12 Comissões de Pastoral, os delegados para o Sínodo sobre a Família e os representantes no CELAM.

Enfim, na Assembleia, vi o pulsar da Igreja no Brasil. Somos uma Igreja com muita vitalidade, iniciativas e desafios. 


Publicada em 06/05/2015 às 07:59:26

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