Caminhos para a paz


            “Mostra-me,Senhor os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas.” (Sl 25,4). Neste Ano daPaz, proclamado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,queremos dizerao mundo que “somos da paz.” Mas, que paz queremos? “É possível percorrer ocaminho da paz?” (Papa Francisco). A paz é um caminho conscientementeescolhido, desejado e planejado. Ela não é espontânea. Ela é “artesanal” (EG244). Ela também não consiste somente em atividades e momentos, mas num projetode vida e de sociedade, construído com educação, paciência e perseverança. Épreciso aprender os caminhos para a paz.

            Caminhos quenão são da paz trazem violência física, psicológica, sexual, entre grupossociais e entre classes sociais. São caminhos que amedrontam as pessoas, quenão possibilitam que as pessoas sejam livres e felizes. Tiram a alegria deviver. Causam insegurança e medo. É fruto de preconceitos, racismo,fundamentalismos e, sobretudo, da exclusão social produzida pela falta de condiçõeseconômicas e educação. Importa encontrar outros caminhos, com base ética norespeito e no diálogo, na complementaridade das diferenças, na compaixão emisericórdia, não no individualismo e no interesse próprio. O outro não é umrival que devo vencer, aniquilar! O outro é um dom de Deus, um mistérioinsondável que me visita.

            Compreende-seque algumas pessoas, acuadas pelo medo e a insegurança, no desejo de resolverlogo as mazelas sociais que foram sendo construídas por caminhos equivocados,queiram superar a violência com mais violência. Não, a violência não se vencecom violência! É muito perigoso pensar que através das armas conseguiremos paz.Trata-se de uma falsa segurança. O outro será um potencial inimigo do qual devome defender ou combater. Outro caminho equivocado para a paz é a redução damaioridade penal. Temos uma superlotação do sistema carcerário, o quarto maiordo mundo, que não consegue educar os apenados para reintegrarem-se à sociedade.Além disso, a lei prevê medidas socioeducativas para os menores infratores.Estas medidas, sim, devem ser postas em prática.

            “Deixo-vos apaz, a minha paz vos dou” (Jo, 14,27), disse Jesus. Somos da paz porqueseguimos Jesus Cristo, que “é a nossa paz” (Ef 2,14). O cristão sabe que, emCristo foi agraciado pela paz e, por isso, será um construtor da paz. Para nós,a pazé dom e compromisso. Dom de Deus, em Cristo, para a humanidade. Ele é o“Príncipe da paz” (Is 9,5), anunciado pelo profeta Isaías, como o mensageiroque anuncia a paz (cf. Is 52,7). O cristão é um reconciliado, pacificado, peloseu vínculo batismal com Cristo Redentor. Deverá ser no mundo sinal de comunhãoe fraternidade.

            O caminho dapaz é possível. É preciso acreditar. Sendo “a paz fruto da justiça” (cf. Is32,7), quanto mais igualitária for a sociedade, menos violência teremos. Alémdisso, como cristãos que caminhamos na estrada de Jesus, aprendemos a lógica doserviço ao invés do domínio (cf. Lc 22, 24-27), a perdoar e a ter misericórdia(Mt 18, 21-35; Lc 15,11-31) e a responder à violência com o amor (cf. Mt 5,39).Diz nosso Papa: “É hora de saber como projetar, em uma cultura que privilegie odiálogo como forma de encontro, a busca de consensos e deacordos, mas sem a separar da preocupação por uma sociedade justa, capaz dememória e sem exclusões” (EG 239). Saber dialogar respeitosamente é condiçãopara a construção da paz. Este caminho passa também pelas relações familiares.

            Construtoresda paz! Trilhemos este caminho, em nossa vida pessoal, na comunidade cristã ena sociedade.

 

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta

            

Publicada em 15/06/2015 às 12:13:18

Mitra Diocesana - Rua Duque de Caxias, 729 - Cruz Alta RS, 98005-200 - (0xx)55 3322-6920