Precisamos de Lideres ou Profetas?

EVANGELIZAR a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo,

comoIgreja discípula, missionária e profética e misericordiosa, 

alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia,

à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres,

para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo (DGAE 2015-2019)


Há muito, muito tempo, um certo rei de Israel, um tal Jeroboão II, conseguira o chamado “milagre econômico”. Controlava as rotas comerciais e tinha um exército que lhe garantia a paz. Mas o sistema era injusto: a riqueza nas mãos de poucos e o empobrecimento geral da população, os pequenos agricultores em agonia e escravizados até, para pagar as dívidas. As leis compravam-se como se comprava qualquer outro produto. Qualquer semelhança com a realidade de hoje não é mera coincidência! Pior ainda, os sacerdotes eram apenas funcionários do Estado e até o Templo se tornara um antro de falcatrua, e corrupção...

Para incomodo dos que estão “por cima da carne seca”, aparece Amós. Sem papas na língua, sem medo de ninguém, sem nada a perder. Entra para desmascarar a injustiça do Estado e a hipocrisia no Templo. Livre, o pastor Amós foi mandado por Deus e sem vontade de poder. Perturbou consciências, desinstalou os mais seguros. Não gostaram que se “metesse” com o rei. Amazias, sacerdote do Templo real, quis pô-lo fora de circulação. Manda-o pregar em outro lugar, mas ele não vai. Se Deus o mandou, que o aturassem...Denuncia, sem bandeira nem partido, apenas transparente, livre e lúcido!

Tirem as conclusões que quiserem! Mas neste ano que surgem tantas notícias de corrupção nas mais diversas esferas e níveis do poder, em políticos em dirigentes do esporteetc, etc...e com a Nossa Pátria amada neste “estado” tão lastimável de corrupção...digam lá se não fazem falta profetas como Amós...cristãos sem papas na língua...gente sem medo de falar. E mesmo, por aqui, no nosso Rio Grande do Sul... por que tantos silêncios cúmplices? Por que tanta inaptidão? Por que tantos pobres, doentes e miseráveis, a par de instituições abarrotadas de dinheiro, a pedir quando deviam dar? Porque continuam impunes empresas que descontam dos empregados e não os repassam para o INSS, deixando famílias inteiras na miséria! Vivemos num Brasil, infelizmente marcado por profundas assimetrias, desigualdades sociais gritantes, com riquezas acumuladas por alguns e muitos sem nada! Por outro lado, os casos de pobreza estão à vista! Não falta por aí quem não fale por medo de perder o lugar, a amizade, a benesse. E não falta por aí quem não se “mexa” por cômodo interesse, quem cale para não perder “a simpatia”! E isto até com gente “da Igreja”!

Direis que estou fazendo um comício e não uma reflexão. Pouco me importa. Quando Amós, que não era profeta de carreira, se pôs do lado dos pobres e gritou contra as injustiças, veio também dizer que ser profeta é ser intérprete da justiça, é dar a cara e a voz, na defesa da pessoa humana. E o próprio Jesus, enviando em missão os Doze, não lhes recomendou palavras mansas, mas um grito de conversão. Que fossem livres de tudo e em relação a todos, anunciar uma nova ordem da Vida, expulsar demônios e curar doentes. Com gestos concretos, pela força da Palavra! Não é de “líderes” que precisamos. É de Profetas!É de uma “oposição”, sem vontade de poder! De uma nova mentalidade que não faça da corrupção uma virtude da inteligência. É preciso ir “contra a corrente” com o vento do Espírito Santo... Do lado da verdade...Do lado dos pobres...com o sal do Evangelho que é para não corromper!


Pe Magnus Camargo

Coordenador Diocesano de Pastoral


Publicada em 31/07/2015 às 08:12:46

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