Dízimo: gratidão a Deus e amor à Igreja


Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta


Várias são as motivações que levam o cristão a ofertar o dízimo. Graças a Deus, já crescemos na consciência de que o dízimo não é uma taxa que se deve pagar para se ter alguns direitos, sobretudo na recepção dos sacramentos. Um dos maiores entraves, que ainda devemos superar, é a mentalidade mercantilista que perpassa todas as dimensões da nossa vida. Somos acostumados a comprar e vender. Então, há quem pense assim: sou fiel, “pago o dízimo”, então não terei males e Deus irá me retribuir com riquezas. Mas nossa relação com Deus imposta-se de outra maneira: tem a marca da graça, do amor gratuito de Deus por nós (cf. 1Jo 4,7-10). Embora alguns ainda insistam em se relacionar com Deus de maneira comercial, Deus não age assim conosco, pois “ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Então, se não é para obter benefícios, porque o cristão é convidado a contribuir com o dízimo?

Ter um coração agradecido

A primeira motivação é a gratidão a Deus. Um coração agradecido é generoso. O dízimo trata-se de uma questão de fé, de um olhar de fé! Sim, os olhos da fé reconhecem a presença constante de Deus, que se manifesta de várias maneiras, na vida pessoal, na Igreja, na sociedade, na criação. Assim, expressa sua gratidão: “Dai graças ao Senhor, porque o seu amor é para sempre! (Sl 118, 1). A Ele brota, desde nosso coração, um grande “muito obrigado”. Não é uma obrigação. Não estamos lhe pedindo nada, somente agradecendo. Então, o dízimo é como quando damos um presente a alguém que amamos, a quem somos muito gratos pela amizade e pelo lugar especial que ocupa em nossa vida. Quanto maior for a amizade por esta pessoa, maior será a gratidão por ela. A Deus nunca seremos suficientemente gratos. Ele não precisa de nossa gratidão, mas sermos gratos é uma obrigação a que nos impomos a nós mesmos. Por isso, vale para o dízimo a palavra de Paulo: “Cada um dê conforme decidir em seu coração, sem pena ou constrangimento, porque Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7). E a gratidão faz bem a quem dá e a quem recebe. Quebra nosso orgulho. Ensina a partilhar.Dízimo é ação de graças!

Amar a Igreja

O segundo sentido refere-se ao vínculo do fiel com a comunidade de fé. A vida cristã se dá no seguimento de Jesus Cristo numa comunidade. O cristão compreende a comunidade paroquial como parte de sua fé. Não é uma realidade sociológica, muito menos uma mera instituição prestadora de serviços. É a comunidade, da qual é parte, junto com todos os outros irmãos e irmãs, com a missão de continuar a missão evangelizadora recebida de Jesus Cristo. Neste sentido, a oferta do dízimo é expressão do compromisso como discípulo missionário. Quanto maior for a consciência de pertença e amor à Igreja, maior será a alegria de participar dela nos diversos serviços, ministérios e, também, com a necessária ajuda econômica.

Enfim, experiência do amor de Deus faz brotar a gratidão e a generosidade. Um dos jeitos de agradecer a Deus por tudo o que recebemos é ofertar o dízimo à comunidade, que tem a missão de continuar a obra iniciada por Jesus. 


Publicada em 03/09/2015 às 08:43:36

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