Pão e Circo

Pão e Circo. Barriga cheia e alegria dos sentidos. Este era o ideal pagão de vida, da antiga civilização romana. Veio depois o Evangelho para transformar os pagãos em homens novos, novas mentalidades, novo estilo de vida. Para lá do útil e do fútil, do pão e do circo, havia lugar para a esperança e para o sentido, para a verdade e para o amor. Jesus encontrou, no seu tempo gente assim, de “pão e circo”. Gente que ficou de barriga cheia e não teve fome de mais nada. 

Os tempos hiper-modernos marcam, por esta fome de nada, na fruição e no vazio.  Embora Deus não seja negado ou perseguido, é esquecido e dispensado. Vive-se, na prática, como se Ele não existisse. O mal desta geração é que, sem projeto nem sentido, carece de uma esperança, vagabundeia no incerto, não se apega a nada, não pergunta coisa nenhuma, come e cala...

O panorama é este: o sentimento tornou-se a regra do pensamento. As emoções são afinal as grandes razões que movem o universo. E o direito de opinião vale sobre tudo, mesmo para quem não é entendido em nada. Em tempos de facebook todos podem ser “mestres em tudo”. 

O Brasil parece que vinha de um sonho cor-de-rosa. Vantagens, saldos, descontos, promoções, compras e facilidades. Tudo a crédito. Gasta agora e paga depois! Tudo muito fácil, tinha-se que trocar os eletrodomésticos, o ar condicionado, o carro novo, a casa de praia, o último grito em celular. Um simples cartão, do Banco “Xis”, transformado em varinha mágica, dava corpo a todos os seus sonhos.  É a alegria comprada e vendida, na grande feira das vaidades! É tal a oferta, que alguém julgará estar a perder a maior oportunidade da sua vida... E vive triste!

Neste mundo cor-de-rosa em que o povo mergulhou, em que os sonhos em vez de subir acima do nível das nuvens, andam mais rasos que o chão, é difícil despertar o desejo da alma para o mais alto e mais profundo... O coração nem pode respirar o infinito, de tão afogado, num mar de sonhos e espuma. O desejo, servido a preços de loucura, depressa fará do sonho um pesadelo. No fim, o gasto, a dívida, a tristeza. 

Mas este “inverno do Espírito” parece querer ressuscitar em novas prima¬veras. Na verdade, a par deste consumismo e hedonismo, já começamos a perceber que o nada leva  a nada e que, no alem  desta desilusão, há uma Vida, existe esperança que dias melhores virão!


Pe Magnus Camargo


Publicada em 03/09/2015 às 08:47:33

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