Existe contradição entre fé e ciência?

Algumas pessoas se questionamse a teoria do Big Bang e a teoria da evolução não contraria a nossa fé, umavez que são explicações científicas para a criação de Deus.

A teoria do Big-Bang surge daconstatação de que, pelos cálculos de Albert Einstein (1915), o universo estáem expansão, se afastando. Levando em consideração os dados de Einstein, oastrônomo, cosmólogo, físico e padre George Lemaitrê propôs, em 1927 que, sehoje o universo está em expansão, no início ele estava concentrado em um pontoque ele chamou de átomo primordial. Quando, em 1929, Edwin Hubble observou comum telescópio o afastamento das galáxias e, 1965, Arno Penzias e Robert Wilsonencontraram o ruído do Big Bang, ganhando o prêmio Nobel em 1978, poucoscientistas se atreveram a contrariar a teoria do Big Bang.

Como a ciência explica osurgimento da vida? Há 3,8 bilhões de anos, havia vários elementos químicos queteriam se unido de forma aleatória (?) formando a primeira estrutura com DNA .Estes elementos eram a amônia, hidrogênio, metano, gás carbônico, sulfeto dehidrogênio e vapor d'água que deu origem a um sistema biológico simples eautopoietico. Aparece, então, uma bactéria no fundo do mar.

A evolução teria seguido alinha das algas e animais de corpo mole (2,5 bilhões a 542 milhões de anosatrás), peixes (444 a 416 milhões), anfíbios, insetos e plantas (416 a 359milhões), florestas de plantas com sementes e répteis (359 a 299 milhões),répteis similares a mamíferos (299 a 252 milhões), mamíferos e dinossauros (252a 200 milhões), aves (200 a 145 milhões), extinção dos dinossauros e domíniodos mamíferos (65 milhões), símios antropomorfos que deram origem aos humanos(5,3 milhões a 1,8 milhão) e os humanos ou homo sapiens (300 mil anos).

Estas afirmações científicas,que sempre podem ser revistas e aperfeiçoadas, mas se encadeiam uma na outrapara dar uma visão de totalidade sobre a origem do universo e da vida, atéchegar a nós, humanos, nos fazem pensar sobre o que isso implica na nossa fé.Questiona? Aperfeiçoa? Não muda nada?

Em 1950, o Papa Pio XII, na EncíclicaHumani Generis, no número 36, diz que “o magistério da Igreja não proíbe quenas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate dadoutrina do evolucionismo”, ou seja, a Igreja não é contra a teoria daevolução. Porém, Pio XII deixa claro que a fé nos faz acreditar que, emdeterminado momento da evolução, Deus tenha colocado uma alma no ser humano,fato esse que o distingue de todos os outros animais.

No documento do Vaticano II,Gaudium et Spes, no número 36, nos diz que é Deus quem dá a capacidade derefletir e pensar cientificamente.

São João Paulo II confirma ateoria da evolução quando, em 1996, num pronunciamento para a AcademiaPontifícia para as Ciências, diz que “novos conhecimentos dão-nos conta que ateoria da evolução não é mais uma mera hipótese. De fato, é notável que estateoria tem sido, progressivamente aceita por investigadores, depois de umasérie de descobertas em vários campos do conhecimento”.

O Catecismo da IgrejaCatólica, no n. 283, nos aponta que as descobertas científicas, ao invés dequestionar a nossa fé, nos fazem admirar ainda mais a obra do criador.

Na sua Encíclica Laudato Si,no n. 81, o Papa Francisco retoma mais uma vez o argumento de Pio XII, que aevolução pode ser aceita, desde que seja admitida uma intervenção direta deDeus para criar a consciência do ser humano, sua alma, o que lhe distingue detodos os outros seres e o torna, não o centro da criação, mas a criaturaresponsável por todas as outras.

O número 83 da Encíclica nosdeixa claro aquilo que somente a fé, e não a ciência pode alcançar sobre averdade do universo, ou seja, o sentido da criação. O Papa Francisco diz: “Ameta do caminho do universo situa-se na plenitude de Deus, que já foi alcançadapor Cristo ressuscitado, fulcro da maturação universal. E assim juntamos maisum argumento para rejeitar todo e qualquer domínio despótico e irresponsável doser humano sobre as outras criaturas. O fim último das restantes criaturas nãosomos nós. Mas todas avançam, juntamente conosco e através de nós, para a metacomum, que é Deus, numa plenitude transcendente onde Cristo ressuscitado tudoabraça e ilumina. Com efeito, o ser humano, dotado de inteligência e amor eatraído pela plenitude de Cristo, é chamado a reconduzir todas as criaturas aoseu Criador”.

Percebemos, então, que não háuma contradição entre fé e ciência, mas a fé nos ilumina sobre o própriosentido do universo, pois atrás de tudo o que existe, há um amor criador e umprojeto amoroso para sua criação.

Publicada em 11/09/2015 às 15:19:07

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