O Caminho da Palavra


O mês de setembro foiconstituído pela Igreja Católica no Brasil como Mês da Bíblia. O motivo é acelebração da festa de São Jerônimo no dia 30 de setembro. São Jerônimo é opatrono dos estudiosos da bíblia, por ter se dedicado ao estudo da mesma. Foi oprimeiro a fazer a tradução da bíblia para o latim. Foi ele que disse: “Ignoraras Escrituras é ignorar Cristo”.

Houve tempos, séculos, que abíblia esteve longe do povo. Isso por diversos motivos: eram poucos livros,pois as cópias eram manuais; a maioria do povo era analfabeta; e,principalmente a partir da Reforma Protestante que valorizou a Escritura, aIgreja Católica valorizou os sacramentos, criando assim uma contraposição entrePalavra e Sacramento.

                O Concílio Vaticano II, acontecido há 50 anos, tiroua Bíblia do segundo plano em que havia sido posta, recuperando a centralidadeda Palavra na vida da Igreja e devolvendo ao povo de Deus o livro que lhepertence. Sobretudo a constituição dogmática Dei Verbum restabelece acentralidade da Palavra e dá o impulso para a sua leitura: “Debrucem-se,pois  (os fiéis), gostosamente sobre otexto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, quer através da leituraespiritual, quer por outros meios que vão espalhando tão louvadamente por todaa parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém,que a leitura da Sagrada Escritura  deveser acompanhada de oração” (DV 25).

                A partir do Concílio muita coisa mudou. O estudobíblico ampliou-se na teologia e nos cursos populares. Ganhou em quantidade equalidade. No Brasil destaca-se o trabalho de Frei Carlos Mesters. Foi o granderesponsável em tornar o estudo bíblico popular, inclusive resgatando o métododa Leitura Orante da Bíblia para o qual o Concílio já aponta.

                Mais recentemente tivemos a exortação apostólicaVerbum Domini, escrita pelo Papa Bento XVI, fruto do Sínodo sobre a Palavra deDeus em 2008.           Começa afirmando:“A Palavra do Senhor permanece eternamente. E esta é a palavra do Evangelho quevos foi anunciada (...). Esta Palavra que permanece eternamente, entrou notempo. Deus pronunciou a sua Palavra eterna de modo humano; o seu Verbo 'fez-secarne' (Jo 1,14). Esta é a boa nova. Este é a anúncio que atravessa os séculos,tendo chegado até nossos dias” (VD, 01).

                Depois veio a exortação apostólica Evangelii Gaudium,que recolhe as contribuições do Sínodo sobre o anúncio do Evangelho no mundoatual, realizado em 2012 e que contém também o pensamento do Papa Francisco.Nela destaca-se: “Toda a evangelização está fundada sobre esta Palavraescutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada (...). Superamos já avelha contraposição entre Palavra e Sacramento: a Palavra proclamada, viva eeficaz, prepara a recepção do Sacramento e, no Sacramento, essa Palavra alcançasua máxima eficácia” (EG 174). E continua: “É fundamental que a Palavrarevelada fecunde radicalmente a catequese e todos os esforços para transmitir afé.

                A evangelização requer a familiaridade com a Palavrade Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicosproponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sualeitura orante, pessoal e comunitária. (...) Acolhamos o tesouro sublime daPalavra revelada!” (EG 175).

Comunidade cristã: casa daPalavra

Os Bispos do Brasil, no Doc 100,Comunidade de comunidades: uma nova paróquia aponta para a comunidade cristãcomo casa da Palavra. “Nela o discípulo escuta, acolhe e pratica a Palavra”(179). Já nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil2015-2019 reafirma como urgência da Evangelização: Igreja: lugar de animaçãobíblica da vida e da pastoral. Nela se afirma que “Iniciação à vida cristã ePalavra de Deus estão intimamente ligadas. Uma não pode acontecer sem a outra”(47). Também diz que “o discípulo missionário é convidado a redescobrir ocontato com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com JesusCristo” (49). Sendo casa da Palavra deve-se ter em conta algumas propostas deação (os números são das Diretrizes):

Incrementar a animação bíblicada vida e da pastoral, com envolvimento de toda comunidade, pessoas, pastorais,movimentos, associações e serviço (Diretrizes, 93);

a catequese de iniciação àvida cristã, de inspiração catecumenal, supõe uma estreita relação com abíblia, pois 'a catequese há de haurir sempre o seu conteúdo na fonte viva daPalavra de Deus (...) A catequese fornece uma adequada formação bíblica doscristãos” (85).

valorização da liturgia comoâmbito privilegiado onde Deus fala à comunidade (94): cuidar, com adequadaformação do múnus de leitor na celebração litúrgica (101), especial atençãopara a homilia que atualiza a mensagem bíblica (95);

formação bíblica nos grupos defamílias e outras pequenas comunidades bem como cursos e escolas bíblicas (96),dando destaque para a leitura orante da Bíblia (98); cada ano, no Mês daBíblia, é proposto o estudo de algum tema ou livro da bíblia. Este ano sepropõe estudar o Evangelho de João com o tema: Discípulos missionários a partirdo Evangelho de João e lema: “Permanecei no meu amor, para dar muitos frutos”(Cf. Jo 15,8-9);

incentivo para que a Bíbliaesteja nas mãos de todos, ajudando a ler e interpretar  corretamente a Escritura (97).

Publicada em 11/09/2015 às 15:26:01

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