Amados por Deus, para amar

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta

 

            Somosamados por Deus. Deus manifestou o seu amor imenso por nós em Cristo morto eressuscitado e esta verdade central do cristianismo traz sempre “uma novaalegria na fé e uma fecundidade evangelizadora.” (Papa Francisco, EvangeliiGaudium,11). Não somente temosum Deus bondoso e criador, mas livremente se faz pequeno para vir ao nossoencontro e nos amar. Diferente do modo como os filósofos gregos o compreendiam,o Deus de Israel, o Pai(Abbà) deJesus, ama pessoalmente.“Cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus. Cadaum de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um de nós é necessário.”(Bento XVI, 24 de abril de 2005). Amor supõe relação e liberdade. Deus fala,visita, vem ao encontro, toma a iniciativa e comunica-se com o ser humano.Propõe e estabelece uma aliança conosco. Coloca-se, com humildade, como um Tu,diante do qual nos descobrimos acolhidos e amados. Comesta consciência, o salmista canta: “Que é o homem, Senhor, para que dele telembres e o visites?” (Sl 8,5).

 

Amor que faz viver

No Antigo Testamento, este amor de Deus por seu povo se manifesta naeleição de Israel (cf. BENTO XVI, DeusCaritas Est, 10). Dentre todos os povos, Deus escolhe Israel e o ama: “Vocêsserão minha propriedade especial entre todos os povos” (Ex 19,5a). É um amor depredileção: “Não tenha medo, porque eu o redimi e o chamei pelo nome; você émeu” (Is 43,1b). O ama com amor de mãe, com “entranhas de misericórdia”. E,porque o ama, também o perdoa em suas infidelidades: “Como te abandonarei, óEfraim? Entregar-te-ei, ó Israel? Meu coração dá voltas dentro de mim,comove-se minha compaixão” (Os 11,8).

            O cristão, porém, é convidado ao“olhar fixo no lado trespassado de Cristo” (DCE, 12), onde de uma maneiraradical se manifesta o amor de Deus pela humanidade. A grande motivação de todoo agir de Deus na Encarnação é o amor: “Pois Deus amou de tal forma o mundo,que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mastenha a vida eterna” (Jo 3,16). O amor de Deus se fez visível quando enviou seuFilho para que vivamos (cf. 1Jo 4,9).

 

Apostar no caminho do amor

            Ao discípulo de todos os tempos estaverdade, quando experimentada na vida, é fundamental: “Ele amou-nos primeiro econtinua a ser o primeiro a amar-nos; por isso, também nós podemos respondercom o amor. Deus não nos ordena um sentimento que não possamos suscitar em nósmesmos. Ele ama-nos, faz-nos ver e experimentar o seu amor, e desta‘antecipação’ de Deus pode, como resposta, despontar também em nós o amor”(DCE, 17), nos disse o Papa Bento XVI. A acolhida deste amor em minha vida mefaz ver a minha verdadeira identidade: sou filho amado de Deus, como a Jesusfoi revelado no seu batismo: “Este é o meu filho amado”. A resposta à pergunta“quem eu sou” não virá mais de quanto eu tenho, quanto eu sei, o que os outrosdizem de mim ou até o que eu penso de mim, mas desta identidade profunda queresulta do encontro com um Deus que me ama pessoalmente. (Cf. H. Nouwen, 2007).

            Deste modo, “eu amo, em Deus e comDeus” o meu próximo. O discípulo vê o outro com os olhos de Cristo. “Dessemodo, já não se trata de um ‘mandamento’ que do exterior no impõe o impossível,mas de uma experiência do amor proporcionada do interior, um amor que, por suanatureza, deve ser ulteriormente comunicado aos outros” (DCE 18). Vale a penaapostar e trilhar a via do amor. Em síntese, este é o caminho cristão.

 

Publicada em 25/09/2015 às 14:22:22

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