“Fez-se sempre assim”

O Papa Francisco vem nos desafiandoa repensarmos os estilos e métodos  deevangelização. Para que isso verdadeiramente aconteça e não seja  apenas dada uma maquiada  é preciso que façamos  uma “limpezado coração”! Sejamos submetidos a uma espécie de “cateterismo”, para nos limpar o coração do que nele pesa… e neledeixar fluir o grande “rio damisericórdia divina” (MV25). Para isso éimportante termos presente o seguinte:

Para a formação e desenvolvimento da nossa fé é mais importante a entregaà Palavra de Deus, acolhida nocoração e vivida em cada dia, do que o apego à tradição dos homens ou adoutrinas, que não passam de preceitos humanos! Quantas vezes estamos “obcecados pela transmissão desarticulada deuma imensidade de doutrinas que se tentam impor à força(cf. EG 43) e nos apegamos religiosamente a costumes,como tábua de salvação, pondo de ladoo mandamento de Deus, o essencial da Boa Nova. O desafio  é pôr o nosso coração em contato com a fonte da Palavra de Deus e “recuperar o frescor doEvangelho(EG11), para Ooferecermos aos outros, como fonte de água viva, e não como uma espécie deproduto congelado. Isso implica rever, ou mesmo acabar, com “costumes locais não diretamente ligados aonúcleo do evangelho,alguns muito enraizados ao longo da história(cf. EG 43). Estes “podem até ser belos”,  mas já“não prestam o mesmo serviço àtransmissão do evangelho. Não tenhamos medo de os rever(EG 43), transformando tudo, para que “os costumes, os horários, os estilos, alinguagem se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atualdo que à autopreservação(EG27) da Igreja.Vale mais a Palavra de Deus, do que os nossos costumes. A fidelidade à Palavra deve noslevar a rejeitar e abandonar aquele cômodo critériopastoral que diz “fez-se sempre assim(EG 33).

Para a celebração autêntica da fé, é mais importante um coraçãopuro, do que mãos limpas! É mais importante um coração, que procura a justiça,a verdade, a caridade, a generosidade e a compaixão, conforme reza o salmista (Salmo 14) do que a observância de rituaisexteriores e devoções, que lavam por fora sem limpar por dentro.

Paraa prática da fé,são mais importantes as obras de misericórdia, do que todas as leis, regras,normas e preceitos da Igreja, “que podemter sido muito eficazes noutras épocas, mas já não têm a mesma força educativa,como canais de vida(EG43). No fundo, ospreceitos dados por Cristo e pelos apóstolos são pouquíssimos. Não deixemos queeles se multipliquem e pesem sobre nós, transformando a nossa religião numaescravidão, “quando a misericórdia deDeus quis que fosse livre(SantoAgostinho, cit. EG 43).No fundo, aqui, o que conta é a fé, que atua pelo amor (Gl 5,6), na certeza porém de que, entretodas as virtudes, “a maior de todas é amisericórdia(SãoTomás, cit. EG 37).

O ano de 2016 vai ser, em grandeparte, vivido como um “Ano daMisericórdia”. Ora a misericórdia é a arquitrave, que suporta a vida daIgreja (MV10), e é mesmo averdadeira razão da alegria, que o evangelho suscita em nós! É, pois, esta umaboa oportunidade, para limpar o nossocoração, para o pôr de molho, no grande “rioda misericórdia divina” (MV 25).

 

Publicada em 02/10/2015 às 09:00:38

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