Jubileu da Misericórdia

Dom Adelar Baruffi

      Bispo de Cruz Alta



O Papa Francisco proclamou para toda a Igreja, um Ano Jubilar, o Ano Santo da Misericórdia. Abrirá a Porta Santa, na Basílica São Pedro, em Roma, no dia 08 de dezembro, dia da Imaculada Conceição e celebração dos 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II. Quer o Papa manter viva a memória e as grandes intuições deste marcante acontecimento eclesial. O Ano Jubilar se concluirá com a Solenidade de Cristo Rei, no dia 20 de novembro de 2016. Em todas as dioceses do mundo, a abertura solene acontecerá no dia 13 de dezembro, na catedral diocesana.

O Ano Santo Jubilar tem suas raízes numa instituição do Antigo Testamento. É um ano marcado pelo perdão e pela reconciliação, para renovar o sonho de Deus de um mundo fraterno, sem exclusões e injustiças (cf. Lv 25,8-17). É marcado pelo júbilo: “será um ano de júbilo” (Lv 25,11). A alegria do Ano Santo é “a alegria do Evangelho”, no coração do qual encontramos Jesus Cristo, “o rosto da misericórdia do Pai”. “Com sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.” (MV 1).

Por que um Jubileu da Misericórdia?A misericórdia é a virtude que sintetiza o ser e o agir de Deus e, consequentemente, do cristão. O nome de Deus é misericórdia, diz o Papa. Por isso, “precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição de nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa humana, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.” (MV 2).

Como viver o Jubileu da Misericórdia? O lema do Jubileu já indica seu objetivo: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36). Indico dois caminhos. Primeiramente somos convidados a contemplar a misericórdia de Deus em nossas vidas e na humanidade, manifestada em Jesus Cristo. Nos ajuda a acolhida da Palavra, sobretudo dos Salmos e Parábolas da Misericórdia. Esta contemplação nos leva à ação de graças a Deus e ao compromisso. Por isso, o segundo caminho é nos educarmos para a misericórdia como o modo de viver do cristão. Como nos diz o Papa, a Igreja deve ser “um oásis de misericórdia”. Esta se concretiza de muitas maneiras: na vivência das obras de misericórdia no cotidiano da vida; educar-se para o perdão e a acolhida como caminhos para a paz; aprofundar o sentido do sacramento da reconciliação; debruçar-se e ir ao encontro, com o coração, da miséria humana, como sugere a própria palavra “misericórdia”; erradicar da vida pessoal e social a corrupção, que “é uma obra das trevas” (MV 19); peregrinar até uma “porta santa”, como sinal de nosso caminho espiritual e obter as indulgências oferecidas pela Igreja. Oportunamente aprofundaremos estas indicações. 

Maria, “mãe da Misericórdia”, volva para nós seu olhar misericordioso e nos ajude na urgente missão de anunciar e testemunhar a misericórdia de Deus. 



Publicada em 08/12/2015 às 13:59:39

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