A Porta da Misericórdia e as Indulgências


Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta

Abrir uma porta sempre é sinal de acolhida, de boas-vindas. A porta que o Papa abre em Roma e os bispos em todas as catedrais do mundo, são o símbolo da abertura da Igreja para acolher, para oferecer a misericórdia de Deus. É, também, um convite a peregrinar até uma “porta santa” e passar por ela. Esta passagem não tem nada de mágico. Ela é sinal de nosso ingresso na grandeza da misericórdia divina, que uma vez experimentada em nós, deve se expandir a todos. Sejamos uma porta aberta, capaz de acolher, perdoar e construir fraternidade.

Deus é misericordioso e indulgente. O perdão de Deus não conhece limites. No entanto, “apesar do perdão, carregamos na nossa vida as contradições que são consequência dos nossos pecados, que são verdadeiramente apagados; mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A misericórdia de Deus, porém, é mais forte também do que isso. Ela se torna indulgência do Pai que, através da Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e liberta-o de qualquer resíduo das consequências do pecado, habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor, em vez de recair no pecado.” (Papa Francisco, MV 23). O Papa orientou o caminho a percorrer neste Ano Jubiliar e, também, como obter as indulgências (cf. Carta de 01/09/2015), cujos pontos principais apresento a seguir.  

As portas santas. Em nossa Diocese, estabelecemos que sejam abertas a Porta da Misericórdia na Catedral Diocesana, na igreja do Monumento de Fátima e nas igrejas-sede das regiões pastorais: Natividade, em Ijuí; São João Batista, em Panambi; São Jorge, em Espumoso e Nossa Senhora da Soledade, em Soledade. O fiel deve participar do Sacramento da Confissão, da Eucaristia e rezar nas intenções do Papa. 

Os doentes e idosos, que não podem sair de casa, são chamados a “viver a enfermidade e o sofrimento como experiência de proximidade com o Senhor” para “dar sentido à dor e solidão.” (Papa Francisco). Receberão a indulgência jubilar pela comunhão e oração feita na visita dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística.  

Os encarcerados, quando arrependidos do mal feito, receberão a indulgência nas capelas dos cárceres. “A misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade”, diz o Papa.

As obras de misericórdia corporal e espiritual também são fonte de indulgências. “Todas as vezes que um fiel viver uma ou mais destas obras pessoalmente obterá sem dúvida a indulgência jubilar.” As obras de misericórdia corporal são: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. As obras de misericórdia espiritual são: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas e rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Os falecidos também podem ser beneficiados pelas indulgências jubilares. “Podemos, no grande mistério da comunhão dos santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim”, orienta o Papa.

Enfim, estas formas de encontro com a misericórdia do Pai, juntamente com todas as iniciativas pastorais que acontecerão nas paróquias, nos auxiliarão a vivermos a misericórdia como “estilo de vida”,para sermos “misericordiosos como o Pai. (Lc 6,36).


Publicada em 04/01/2016 às 09:43:32

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