Jesus de Nazaré, o misericordioso

Por Dom Adelar Baruffi


A misericórdia divina não é somente uma bela teoria. Ela se tornou concreta em Jesus de Nazaré. Quem o vê, vê o Pai (cf. Jo 14,9). Por isso, quando Ele nos pede para sermos “misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36), somos convidados a fixar o nosso olhar nele, para aprendermos a ser misericordiosos. 

Jesus misericordioso

Ao lermos a vida e a missão de Jesus Cristo sob este olhar da misericórdia, vemos que ele a viveu como um “estilo de vida”. Ele moveu-se pela misericórdia. “Ao ver as multidões tem compaixão delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.” (Mt 9,36). É um amor “visceral”, das entranhas, um coração que se volta para os “míseros”, os pequenos e sofredores. Não é uma questão de simpatia, mas de deixar-se tocar por aquilo que as pessoas viviam e necessitavam. “Tudo n´Ele fala de misericórdia. N´Ele, nada há que seja desprovido de compaixão. Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração dos seus interlocutores e dava resposta às necessidades mais autênticas que tinham.” (MV 8).

O olhar, as palavras e as atitudes misericordiosas

Em Jericó, o olhar de Jesus a Zaqueu provocou nele a necessidade de uma mudança de vida e a acolhida de Jesus “em sua casa” (cf. Mt 19,5). No encontro com o jovem rico, “Jesus, olhando para ele, o amou” (Mc 10,21). Podemos, também, imaginar o olhar de Jesus a Pedro, na terceira vez que o negou: “O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro. [...] Saindo dali, chorou amargamente”. (Lc 22, 61.62). As palavras de Jesus sobre a misericórdia são muitas. Vale recordar as parábolas do Bom Samaritano, que mostra que o fazer-se próximo, ser misericordioso, é o caminho para a vida eterna: “Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai e faze a mesma coisa” (Lc 10, 36-37). A parábola do Pai Misericordioso (Lc 15,11-31) é, provavelmente, a mais conhecida sobre a misericórdia. E a mais realista de todas é a descrição do juízo final, em que Jesus se identifica com os pobres: “quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25,35). As atitudes de Jesus eram sempre de misericórdia. Recordo alguns momentos: o perdão à mulher adultera: “Nem eu te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8,10); fazer voltar à vida o filho da viúva de Naim: “Quando o Senhor a viu, sentiu compaixão dela e lhe disse: Pare de chorar”. (Lc 7,13); às mulheres que choravam por ele, na sua paixão, diz: “Filhas de Jerusalém, não chorem por mim” (Lc 23,26).

Ser cristão é ser misericordioso

O primeiro passo para sermos misericordiosos é sentimo-nos necessitados dela e acolhermos para nós. Não se trata somente de uma visão filantrópica, nem só da compaixão pelos que sofrem, muito menos de ideias para melhorar o mundo. “A misericórdia cristã consiste, no fundo, em encontrar-se com Jesus Cristo na pessoa que sofre. Daí que a misericórdia não seja em primeiro lugar uma questão moral, mas de fé em Cristo, de seguimento de Cristo, de encontro com Cristo.” (W. Kasper, A misericórdia, p. 185). O seguimento de Jesus Cristo implica assumir o seu estilo de vida, um jeito de ser misericordioso. 


Publicada em 11/02/2016 às 16:52:19

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