Padre, o pastor-missionário

Por Dom Adelar Baruffi


Nos meses de janeiro e fevereiro são realizadas as mudanças de paróquia e funções de vários padres em nossa Diocese. É bom lembrar padre é um dom para uma paróquia. Em primeiro lugar porque sua vocação parte de Deus, que o chama e consagra para uma missão na Igreja. Tem sua identidade e sua missão próprias. Não tira o lugar que os leigos, pelo seu batismo, devem assumir na evangelização e na administração. Antes, é chamado a promover o protagonismo dos leigos. Ele, configurado a Cristo, Bom Pastor, pelo sacramento da ordem, tem uma missão específica no anúncio da Palavra, na presidência dos sacramentos e na condução do povo a ele confiado. É o primeiro responsável pela pastoral paroquial. “O pároco é o pastor próprio da paróquia a ele confiada: exerce o cuidado pastoral da comunidade que lhe foi entregue, sob a autoridade do bispo diocesano, em cujo ministério de Cristo é chamado a participar, a fim de exercerem em favor dessa comunidade o múnus de ensinar, santificar e governar.” (CIC, cân. 519).

Pastor-missionário

Hoje, insiste-se na dimensão missionária de todos os batizados, de uma “igreja em saída”, em “estado permanente de missão”. Neste estilo evangelizador, apresentado pelo Documento de Aparecida (2007) e reafirmado pelo magistério do Papa Francisco, o agir do padre teráum especial cunho missionário. Deverá ter coragem para superar esquemas pastorais ultrapassados. Será o pastor-missionário, que, juntamente com as noventa e nove ovelhas que estão no redil, vão em busca daquela que se perdeu. Sentir compaixão, partilhar a dor do outro, compreender, acolher, perdoar e se entregar constituem o jeito de ser e agir do pastor. O padre prolonga e atualiza a presença do Senhor na história dos homens de todos os tempos. Ele é chamado a fazer de sua voz, a voz do Pastor que anuncia com ousadia a Palavra que congrega e guia; do seu olhar, o mesmo olhar amoroso do Mestre; de suas mãos, mãos que seguem curando e enfaixando as feridas com “o bálsamo da misericórdia” (Papa Francisco) que devolve a vida, o perdão e a dignidade.

Evangelizador com Espírito

O Papa Francisco apresentou duas características do evangelizador, portanto, também aos padres. A primeira é a do “evangelizador com Espírito”, porque “Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa-Nova, não só com palavras, mas, sobretudo, com uma vida transfigurada pela presença de Deus.” (EG 259). Para isto, são indispensáveis os “momentos prolongados de adoração, de encontro orante com a Palavra, de diálogo sincero com o Senhor.” (EG 262). Padres que rezam e trabalham, que compreendem a si mesmos totalmente e unicamente padres, que “sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária.” (EG 266).

Alegria de ser povo

O padre é chamado a amar seu povo e deixar-se amar por ele. Assim, vai descobrindo que estar com as pessoas, partilhar de sua vida, visitar, ouvir, aconselhar, festejar ou celebrar é fonte de alegria. Jesus “toma-nos do meio do povo e envia-nos ao povo, de tal modo que a nossa identidade não se compreende sem esta pertença.” (EG 268).

A todos os padres de nossa Diocese, desejo um alegre e frutuoso ministério pastoral-missionário.


Publicada em 11/02/2016 às 16:53:57

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