Casa comum, nossa responsabilidade

A Quaresma, queiniciamos na Quarta-feira de Cinzas, nos convida a um caminho de conversão evivência mais autêntica de nossa fé, em vista da celebração da Páscoa doCrucificado-Ressuscitado. Neste Ano da Misericórdia, pratiquemos as obras demisericórdia espirituais e corporais. Neste contexto quaresmal e animados pelasua espiritualidade, acolhemos a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano.O primeiro desafio é “ver” a nossa “casa comum”. Recordo as palavras de nossoPapa Francisco na Carta Laudato Si:“Esta irmã [terra] clama contra o mal que lhe provocamos por causa do usoirresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. [...] Esquecemo-nos deque nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7).” (LS 2). Neste olhar, é destacado umfoco, como objetivo de toda a Campanha: “assegurar o direito ao saneamentobásico a todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicase atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa CasaComum.” (Texto-Base CFE 2016, n.26).

            Pela quarta vez, a Campanha tem caráter ecumênico. Já foirealizada nos anos 2000, 2005 e 2010. Será um momento de diálogo, reflexão eações comuns com cristãos de outras Igrejas. “Uma comprovação de que Igrejasirmãs são capazes de repartir dons e recursos na sua missão.(Texto-Base, n.2).Estamos todos conscientes de que o atual modelo de desenvolvimento é predador eexcludente. Destrói a biodiversidade. Não promove a inclusão e a vida dignapara todos. Os pobres são os que mais sofrem as consequências. Despertar noscristãos uma postura responsável diante desta realidade é um imperativo. Pois,que planeta e sociedade queremos deixar como herança para as próximas gerações?

            O foco principal da Campanha é o saneamento básico.Trata-se de um conjunto de condições e serviços que garantam abastecimento euso consciente da água potável; esgotamento sanitário, com seu devidotratamento; limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. “A implantação dosaneamento básico torna-se essencial à vida humana e à proteção ambiental.”(Texto-Base, n. 34). Trata-se de uma dupla responsabilidade. O poder públicodeve garantir as obras de infraestrutura de saneamento, limpeza, coleta etratamento do lixo e esgoto. Mas, individualmente somos responsáveis,educando-nos para o uso consciente da água, a limpeza das ruas, a reciclagem dolixo... Importante trazer todas estas questões para o debate e promover açõesconcretas.

            Além de todas a práticas próprias do tempo quaresmal,como gesto concreto, conclamamos todas as comunidades de nossa Diocese,(crianças, jovens, famílias, escolas, lideranças, pastorais e movimentos) sejamelas na cidade ou interior, para a reflexão e ação em torno da desafiadoramissão de combater o mosquito aedesaegyti.Sabemos que o poder público e as instituições de nosso país, com a ajudasignificativa dos meios de comunicação, estão trabalhando incansavelmente parao combate, porém é responsabilidade de cada cristão, cidadão brasileiro, fazera sua parte. Não nos é permitido deixar para depois. É urgente! Unamo-nos nestagrande missão!

            Neste Ano Jubilar da Misericórdia, desejo um abençoado ecomprometedor caminho quaresmal a todos.

Dom Adelar Baruffi

Bispode Cruz Alta

Publicada em 25/02/2016 às 10:12:47

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