Dois destaques da 54ª Assembleia Geral da CNBB

A 54ª Assembleia Geral da CNBB, que aconteceu em Aparecida, de 06 a 15 de abril de 2016,reuniu cerca de 350 bispos, de todo o Brasil. Este fato, por si, já tem um grande significado. Expressa o desejo de prosseguirmos a evangelização na comunhão e participação, característica da Igreja no Brasil. A convivência, a amizade, o espírito fraterno e as celebrações e orações em comum, no santuário da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, marcaram nosso encontro. Dentre os vários assuntos tratados, que dizem respeito à evangelização – e foram muitos – destaco dois.

Primeiro, o tema central: “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade. Sal da terra e luz do mundo.” (Mt 5, 13-14). O documento, aprovado na Assembleia, expressa a gratidão dos pastores “aos leigos e leigas, pelo seu testemunho de fé, pelo amor e dedicação à Igreja e pelo entusiasmo com que se doam ao nosso povo, às nossas comunidades, às suas famílias e às suas atividades profissionais, até ao sacrifício de si.” (n. 1). Por isso, o laicato é “verdadeiro sujeito eclesial” (DAp, 497). São sujeitos eclesiais, porque pelo batismo, todos nos tornamos membros vivos do povo de Deus. Nessa igualdade comum se funda a identidade e a dignidade da vocação dos leigos e leigas, “chamados a colaborar na ação evangelizadora, em todos os âmbitos da Igreja e do mundo.” (n. 92). Os bispos querem “animar a todos os cristãos leigos e leigas a compreenderem a sua própria vocação e missão.” (n. 10). O documento acentua o primeiro lugar da atuação dos leigos, o mundo. “A vocação própria dos leigos é administrar e ordenar as coisas temporais, em busca do Reino de Deus. Vivem, pois, no mundo, isto é, em todas as profissões e trabalhos, nas condições comuns da vida familiar e social, que constituem a trama da existência. Aí são chamados por Deus, como leigos, a viver segundo o espírito do Evangelho, como fermento da fé, da esperança e do amor, de maneira a manifestar Cristo a todos os homens.” (LG 31). Junto com esta presença evangelizadora na sociedade, “os leigos também são chamados a participar na ação pastoral da Igreja.” (DAp 21). A maioria do povo de Deus é constituída pelos leigos e, “ao seu serviço está uma minoria: os ministros ordenados”, nos disse o Papa Francisco (EG 102). Recordam os bispos, que os leigos e os pastores têm cada um sua missão específica, e um não pode substituir o outro. Recordam que houve avanços, nos últimos tempos, na identidade, missão e espiritualidade dos leigos, mas temos ainda um longo caminho a percorrer (cf. n. 9).

O segundo destaque é a nota aprovada pela Assembleia sobre “o momento nacional”. Inicia dizendo que é uma “profunda crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país” e, como pastores, não podemos ficar indiferentes. Um dos pontos centrais que a declaração aborda é a corrupção, em que “empresários, políticos, agentes públicos estão envolvidos num esquema que, além de imoral e criminoso, cobra seu preço”. Os pobres, citando o Papa são os que pagam pela corrupção, são “os mártires da corrupção”. Por isso, “as suspeitas de corrupção devem continuar sendo rigorosamente apuradas. Os acusados sejam julgados pelas instâncias competentes, respeitado o seu direito de defesa; os culpados, punidos e os danos, devidamente reparados, a fim de que sejam garantidas a transparência, a recuperação da credibilidade das instituições e restabelecida a justiça.” Para superar esta crise, aponta, como já havia feito outras vezes, “a necessidade de uma autêntica reforma política.” Lembra que “o bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social”. Conclama o povo brasileiro ao diálogo, à tolerância, superando “a polarização de posições ideológicas”. Enfim, convida a todos a orar pela nossa Pátria. 

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta


Publicada em 22/04/2016 às 13:45:53

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