Aprender de São João Batista a ser voz

Pe. Douglas Carré

Celebraremos no dia 24 de junho a natividade, isto é, o nascimento de São João Batista cuja mensagem e itinerário de vida servem de exemplo, ainda hoje, para todos nós que queremos seguir a Jesus e anunciá-lo.

João Batista começou sua pregação no tempo de Tibério, Imperador Romano, em 27-28 d.C. com uma forte motivação: ser “voz que clama no deserto” (Jo 1, 23). Santo Agostinho (cf. Sermão 293, 3: Patrologia Latina. 38, 1328 – 1329) fez, a partir desta proclamação do Precursor, uma distinção necessária: “João é a voz, Jesus Cristo é a Palavra”. A vocação e a missão do cristão e, portanto, da Igreja, é muito semelhante à de João Batista: ser voz.

Voz sem palavra é ruído. A palavra fecunda a voz, lhe dá sentido, e por mais que às vezes seja difícil não confundir a palavra com a voz, a voz precisa reconhecer-se a si mesma como tal para não lesar a palavra, para não tomar-lhe o lugar.

Jesus é a Palavra (Jo 1, 1) e nós somos a voz que deve anuncia-la. Sem o anúncio de Jesus a Igreja torna-se, facilmente, no dizer do Papa Francisco, uma “ONG assistencial”  e nós corremos o risco de anunciarmos a nós mesmos, as nossas verdades, a nossa palavra. 

O itinerário de vida de São João Batista, “que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30), deve ressoar sempre no nosso coração de discípulos missionários para que o anúncio de Jesus não acabe ficando em segundo plano, escondido e abafado pelas nossas ideologias, pelos nossos projetos pessoais, pelas nossas vontades.

João Batista, em sua pregação, conclamava a “endireitar o caminho do Senhor” (Jo 1, 23b). Jesus declarou ser “O caminho” (Jo 14, 6). Caminho de esperança para os sem-esperança, caminho de alegria para os infelizes, caminho de sacies para os famintos, caminho de paz para os angustiados, caminho de plenitude para os sedentos, caminho de misericórdia para os que sofrem, caminho de vida para os que n’Ele esperam.

Na Babel que é o mundo contemporâneo, rico em diversidade de vozes e palavras, a Igreja é chamada a estar sempre renovando seu carisma de apontar O Caminho e ser “voz que clama no deserto” (Jo 1, 23), no deserto árido das “periferias humanas” (EG 46), geográficas ou existenciais, onde a miséria, a drogadição, a prostituição, a falta de moradia ou emprego, a depressão, a falta de sentido de vida, a ausência de sonhos e expectativas, dilaceram os corações, trazendo dor e desespero. Somos chamados, como Igreja, a ser voz que anuncia ao mundo a Palavra de esperança que é Jesus Cristo, pois a força da sua ressurreição pode transformar a vida daqueles que com Ele se encontram (cf. DA 12).


Publicada em 09/06/2016 às 08:21:28

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