Comunidades cristãs: gratidão e renovação

Na visita pastoral que está sendo realizada nas paróquias da Diocese encontramos nossos católicos reunidos e congregados em comunidades. Falam com alegria e sadia autoestima dos fundadores da comunidade, do padroeiro, do empenho comum para viver a fé. Algumas são recentes, outras são centenárias. Quanta vida doada, pela fé, nos diferentes serviços, ministérios, grupos, pastorais e movimentos! Cada membro, cada família, sente um vínculo que une aos demais membros. Este vínculo é a fé em Jesus Cristo, vivida na realidade concreta de uma comunidade. Não é apenas um grupo de pessoas que se encontram para atender alguma necessidade ou para fazer o bem. Para poder viver este seguimento de Jesus Cristo construíram igrejas. É o lugar do encontro semanal. Quando o padre não consegue celebrar a eucaristia, os ministros leigos presidem a celebração da Palavra. Principalmente nas realidades rurais, a comunidade exerce também uma função social. É o lugar do encontro e do lazer. Por isso, também foram construídos pavilhões, nos quais a comunidade realiza suas festas e, até, atividades esportivas.
 Sabemos, também, que estas comunidades passam por provações. A religião tradicional que estava na base de sua constituição e que era transmitida pela cultura, já não existe mais como era uma vez. Insiste-se, hoje, que deve-se ser cristão por convicção e não por tradição. Por isso, o foco da ação evangelizadora visa formar os cristãos, oferecer um caminho de iniciação aos cristãos batizados. Até a linguagem usada pede uma renovação. Hoje, não falamos mais de sócios, mas de membros, pois são comunidades e não sociedades. No que se refere aos espaços comunitários, insiste-se no capricho pelo ambiente litúrgico das igrejas, que possibilite, com simplicidade e nobreza, um encontro pessoal e comunitário com Cristo, nas celebrações litúrgicas. Depois, outro espaço imprescindível são as salas para formação dos cristãos: catequese, cursos, pastorais, grupos..
 Um grande desafio é o crescente individualismo, que atinge diretamente o modo de viver a fé. Muitas pessoas não consideram importante ter uma comunidade de referência, vínculo fraterno com outras pessoas para realizar um caminho de fé. Concebem a fé como algo meramente pessoal e de maneira intimista. Não querem qualquer compromisso que lhes possa restringir a liberdade e seu tempo de lazer. No entanto, é da essência do cristão a vida comunitária. Assim foi desde o início da Igreja, como nos narra os Atos dos Apóstolos (cf. At 2,42-46). O encontro com Cristo e seu seguimento se dá numa comunidade de fé. Nela recebemos o dom da fé, acolhemos a Palavra, celebramos a Eucaristia e somos enviados a viver a profecia, a caridade e a misericórdia. Nela repartimos nossos dons a serviço dos irmãos. Nela ninguém é o “presidente” ou o “patrão”, pois todos são irmãos. Por isso, numa comunidade existe o Conselho Comunitário, que é o melhor modo de partilhar alegrias e responsabilidades pastorais e administrativas. Sem comunidade não há como viver autenticamente a experiência cristã.
 Sentimos, hoje, o desafio de renovar e reconfigurar nossa vida comunitária. Especialmente nas realidades urbanas faz-se necessário ajudar os cristãos a superarem o anonimato e se reunirem em grupos, em “pequenas comunidades”. Elas são espaço de partilha de vida, de escuta e meditação da Palavra, de oração e de missionariedade. É a casa dos cristãos. A que comunidade me sinto vinculado e da qual posso dizer: esta é a minha comunidade? Nosso Papa Francisco nos diz: “Não deixemos que nos roubem a comunidade.” (EG 92).
Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta Publicada em 29/06/2016 às 08:07:50

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