As nuas perguntas do Evangelho e a procura por um Deus envolvente

No Evangelho encontramos muitas perguntas. Essas devem ser amadas como revelação e são o outro nome da conversão. Jesus, de fato, educa à fé através de perguntas, “muito mais do que através de palavras imperativas, porque “a pergunta é a comunicação não violenta", que não cala o outro, mas relança o diálogo, o envolve e, ao mesmo tempo, o deixa livre.  A proposta é, portanto, “de parar para ouvir um Deus de perguntas: não mais questionar ao Senhor, mas deixar-nos interrogar por Ele. E em vez de correr rápido para buscar resposta, parar para viver bem as perguntas”. O próprio Jesus é uma pergunta, “A sua vida e a sua morte nos desafiam sobre o sentido último das coisas, nós questionam sobre o que faz feliz a vida”. A resposta é ainda Ele que não pede renúncias ou sacrifícios, não pede para imolar-se sobre o altar do dever ou do esforço, mas reentrar no coração compreendê-lo e conhecê-lo.
Procurar a felicidade equivale, portanto, a buscar Deus,  um Deus sensível ao coração, um que o faz feliz, cujo nome é alegria, liberdade e plenitude. Deus é belo. Devemos anunciar um Deus belo, desejável, interessante;  a paixão por Deus nasce precisamente de ter descoberto a beleza de Cristo.
Deus me atrai por ser onipotente, não me seduz por ser eterno ou perfeito; Ele  me seduz com o rosto e a história de Cristo, o homem da vida boa, bela, beata, livre como ninguém, amor como nenhum outro”. Jesus  é a bela notícia que diz para todos: “é possível viver melhor”. O Evangelho possuiu a chave, no entanto nós empobrecemos o rosto de Deus, que, por vezes, reduzimos à miséria, relegado a remexer no passado e no pecado do homem. Um Deus, que é adorado e venerado, mas que não é aquele envolvido, e envolvente, que ri e brinca com os seus filhos.
Todo homem, contudo, busca um Deus envolvente. Deus pode morrer de tédio nas nossas igrejas. Devolvamos-lhe o seu rosto solar, um Deus amável, desejável, querido. Será como beber das fontes da luz, das bordas do infinito, um Deus desejável, caminho que faz feliz o coração. Medo e fé a partir do passo da tempestade acalmada na qual Jesus pergunta aos discípulos: “Por que tendes medo, ainda não tendes fé?” (Mc 4, 40). São os dois antagonistas que disputam eternamente o coração do homem. A Palavra de Deus, de um extremo ao outro da Bíblia, conforta e anima, repetindo várias vezes: “Não temais. Não tenhais medo!”
Medo que não é tanto a falta de coragem mas falta de confiança, de cair na ilusão de acreditar em um Deus que tira e não em um Deus que dá. O erro que cometeram Adão e Eva que se deixaram persuadir pelo diabo e acreditaram em um Deus que roubava liberdades, em vez daquele que oferecia possibilidades. Acreditaram em um Deus que se preocupava mais com a sua lei do que com a alegria dos seus filhos; um Deus com olhar crítico, do qual deve-se fugir em vez de correr na sua direção. Um Deus, afinal, não confiável. O primeiro de todos os pecados é o pecado contra a fé que nasce da imagem errada de Deus da qual, por sua vez, nasce o medo dos medos. Do rosto de um Deus temível, vem o coração medroso de Adão, que é o mesmo coração amedrontado de todos nós quando nos encontramos na tempestade, porque nos sentimos abandonados. Deus parece dormir, porque queremos que intervenha rápido. Deus intervém. Ele não age em nosso lugar, não nos tira das tempestades, mas nos apoia dentro das tempestades. Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento. Não protege da dor, mas na dor. Não salva da cruz, mas na cruz … Deus não traz a solução para os nossos problemas, traz a si mesmo e dando-se, nos  dá tudo” Ele nos deu Jesus que veio para nos preencher de luz e de sol.
Talvez nós pensemos que o Evangelho  resolverá os problemas do mundo ou, pelo menos, que  diminuiriam a violência e as crises já vivenciadas na história. Não é assim. Na verdade o Evangelho trouxe consigo rejeição, perseguições, outras cruzes. Jesus nos ensina que só há uma maneira de superar o medo: a fé!. Missão da Igreja, é, portanto, libertar do medo que nos faz usar diferentes máscaras com aqueles que nos rodeiam. Por um longo tempo a Igreja transmitiu uma fé cheia de medo que girava em torno do paradigma culpa/castigo, em vez de no florescimento e plenitude.
Esse medo tem produzido e produz um cristianismo triste, um Deus sem alegria. Liberar do medo, então, significa trabalhar ativamente para levantar este manto de medo que está sobre o coração de tantas pessoas: o medo do outro, o medo do estrangeiro. Passar da hostilidade, que pode ser também instintiva, à hospitalidade, da xenofobia ao acolhimento. Hoje a Igreja precisa libertar os fiéis do medo de Deus, como fizeram ao longo de toda a história sagrada. Os seus anjos precisam ser anjos que libertam do medo.


Por Daniel S. Chagas
Seminarista
4º ano de Filosofia

Publicada em 07/07/2016 às 08:06:07

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