Fé, sinal vital do cristão

 Estamos vivendo uma das estações mais bonita do ano. O inverno nos leva a recordar a beleza da humanidade, compreender pela sensibilidade a dimensão da nossa espiritualidade, de nossa fé.
 O inverno é um convite a ficarmos próximos, pois o calor de um ajuda aquecer o outro. Nos recolhemos com mais frequência e mais cedo. A primeira vista parece que andamos encolhidos, enchemos o nosso corpo de roupas quentes, tentamos ao máximo reter o calor do corpo. Dificilmente percebemos que nós mesmos produzimos o calor, não são as roupas pesadas, mas o que está no interior das mesmas que possibilita o aquecimento.
 O calor que procuramos reter para aquecer o nosso corpo pode ser a experiência para a vivencia da fé. O sinal vital do corpo, o sangue que corre nas veias aquecendo até as extremidades do corpo deve ser o exemplo para viver a fé. Assim como o sangue a fé não pode esfriar, precisa estar em constante renovação, em movimento para alimentar a dimensão espiritual.
 Quando falamos de fé, falamos de uma experiência pessoal, mas fundamentalmente comunitária. Ela precisa alcançar as extremidades dos relacionamentos. A fé, experiência pessoal, precisa impulsionar para a vivência comunitária, lugar por excelência de todo o cristão. A fé não deve ser um sentimento intimista. Sem a fé, “sangue” em movimento somos incapazes de uma vivência comum.
 Precisamos, portanto, retomar o sentido da fé. Não uma fé apenas em palavras humanas na qual se torna apenas um meio de conhecimento, este chegado a nós através da história. Neste caso não podemos verificar por nós mesmos, mas acreditamos e aceitamos confiando na palavra dos que um dia nos ensinaram.  Quando aceitamos como verdadeiro o que nos falaram, ou nos deixaram, falamos de fé humana.
 O verdadeiro sentido da fé em que depositamos nossa confiança e nossa esperança está na Palavra revelada de Deus, chama-se “fé divina”. O Catecismo da Igreja Católica define a fé como “a resposta do homem ao Deus que se revela”. Ter fé, portanto, não é acreditar em qualquer coisa; ter fé é aceitar como verdadeira a Palavra revelada de Deus, é aderir voluntariamente às verdades que Deus comunicou à humanidade, sem as aumentar nem as diminuir.
 Olhado para o que acreditamos, podemos perceber quão distante está a fé católica de uma simples crença. Uma crença pode ser puro fruto da imaginação ou de fantasia de quem acredita. No entanto, a fé está baseada no fato histórico e objetivo da Revelação. A fé é um conhecimento sobrenatural historicamente transmitido por Deus à humanidade. A carta aos Hebreus mostra claramente esta dimensão: “Deus, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho” (Hb 1,1-2).
 Como manter acessa e chama da fé? Comparando a fé a uma vela o crente é apenas o pavio, sozinho ele queima com facilidade e logo se apaga. Podemos encontrar na comunidade a parafina de qualidade para sustentar a chama acessa, luminosa e bela.


Pe Aldecir Corassa,
Coordenador Diocesano de Pastoral
e Pároco da Catedral Divino Espírito Santo

Publicada em 07/07/2016 às 08:48:25

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