A importância da Liturgia na vida da Igreja

Artigo - A liturgia é a ação de Cristo Sacerdote e do seu Corpo Místico, Cabeça e Membros, que presta o culto público integral a Deus.  É a ação mais sagrada e eficaz da Igreja. Ela é fonte de vida cristã. Vida e celebração não podem ser dissociadas.
Cristo, enviado pelo Pai, por sua vez, enviou aos Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem o Evangelho a toda criatura (cf. Mc 16,15), e para anunciarem que o Filho de Deus, por sua morte e ressurreição, nos libertou do poder do mal  e da morte e nos transferiu para o Reino do Pai, mas também para celebrarem o sacrifício, os sacramentos e toda a liturgia, a fim de levar a efeito o que anunciavam: a obra de salvação de Cristo, que era perfeita. Assim, pelo Batismo, os seres são mergulhados no Mistério Pascal de Cristo: com ele morrem, são sepultados e ressuscitam (Cf. Tm 6,4; Ef 2,6; Cl 3,1 e 2Rm 2,11); recebem o Espírito da filiação, pelo qual se tornam capazes de chamar Deus de Abbá, que quer dizer Pai (cf. Rm 8,15); “Se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, pois sofremos com Ele para também com Ele sermos glorificados” (cfRm 8,17); todas as vezes que comem a ceia do Senhor, anunciam a sua morte até que ele venha (cf. 1Cor 11,26).
        Tudo isso começou no dia de Pentecostes, quando a Igreja, que tinha nascido na morte de Jesus, se manifestou ao mundo. Então, “aqueles, pois que acolheram sua palavra, fizeram-se batizar” (cf. At 2,41). “Eles mostravam-se assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (cf. At 2, 42). “Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão, pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. O Senhor acrescentava cada dia ao seu número os que seriam salvos” (cf. At 2,46-47). Desde esse dia, a Igreja costuma reunir-se para celebrar o Mistério Pascal.
 Jesus Cristo está presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Na Missa, tanto na pessoa do ministro, “pois aquele que agora se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na Cruz” (cf. Concílio de Trento Sessão XIII), no pão e no vinho consagrados, nos Sacramentos, pela sua força, de tal forma que, quando alguém batiza, é  Cristo mesmo quem batiza, quando se leem as sagradas escrituras, é Ele mesmo quem fala; quando a Igreja canta o Ofício Divino , conforme ele prometeu: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (cf. Mt 18, 20). Em todas essas ações, Deus é perfeitamente glorificado e a humanidade santificada. Cristo sempre associa a si a Igreja, sua esposa querida, que chama por seu Senhor e lhe presta culto ao Pai Eterno. 
 Toda celebração é como uma pausa de peregrinos que anseiam por aquela plenitude que se realizará no final dos tempos. É fonte de vida cristã. Vida e celebração não podem ser dissociadas. A liturgia há de ser central na vida da Igreja  é cume e fonte da própria vida humana e cristã. Toda a atividade pastoral (encontro com as pessoas, a visita às comunidades e aos doentes, a catequese, a formação e a oração pessoal, a organização da comunidade e as demais atividades que são chamadas de pastorais) deve convergir para a celebração da Eucaristia, sobretudo aos domingos – Dia do Senhor.
 O Papa Francisco observa: “A comunidade evangelizadora jubilosa, sabe sempre festejar”. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte de renovado impulso de se dar (cf. EG 24).A Igreja faz a liturgia, mas também a liturgia faz a Igreja. Na liturgia e por meio dela, aprende-se a gratuidade e a gratidão, elementos essenciais do ser discípulo missionário do Senhor Jesus. No término de uma celebração, o fiel deve sair da Igreja com o coração repleto do Espírito Santo, com energia interior, que o faça encarar a vida com olhar novo, mais transparente e profundo e com atitudes de maior harmonia e disponibilidade para amar e servir.
 Portanto, é preciso ter consciência de que a liturgia é uma realidade eclesial que evangeliza por si mesma e alimenta a fé dos fiéis ao longo da vida inteira. Quem frequenta semanalmente a Igreja refaz suas forças com a Palavra e a Eucaristia, amadurece na fé e encontra o jeito de seguir Jesus e testemunhá-lo com as obras do amor, as obras de misericórdia.


Por Néli Rita Gambini
Coordenadora Diocesana de Liturgia

Publicada em 13/07/2016 às 08:09:09

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