Queremos ser Igreja viva

Em nossa Visita Pastoral, na Diocese, as comunidades são convidadas a refletir e expressar “que Igreja queremos ser?” Muitas repetem a expressão: “queremos ser Igreja viva”. Segundo a realidade de cada uma delas, oferecem conteúdo a esta afirmação. A vitalidade de nossas comunidades cristãs passa pela capacidade de educar os seus filhos e filhas na fé e gerar vida. Comunidades vivas são comunidades de fé. Não são clubes ou sociedades. Tampouco são entidades prestadoras de serviço. Triste quando são vistas ou compreendidas como “vendedoras” da graça sacramental, tal qual um supermercado onde se compra o que se necessita, sem estabelecer nenhum vínculo existencial com a mesma. Nossa tarefa é viver exemplarmente a fé, anunciá-la, celebrá-la, construir famílias fundadas no amor e comunidades fraternas e solidárias, para que, em Cristo, nosso povo tenha vida.
Nossas comunidades reúnem aqueles que um dia receberam o batismo e se dispõe a seguir Jesus Cristo. Nós sabemos “que a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus.” (EG 1)  Por isso, o dinamismo gerador da vida de uma comunidade é o processo de iniciação à vida cristã. Parte da amizade e encanto por Jesus Cristo, razão de tudo o que a Igreja vive e anuncia. Educa para a importância da vida comunitária, para a oração e a celebração litúrgica, para a misericórdia e a promoção da vida. Uma comunidade viva anuncia, com alegria, o que vive. É sempre missionária!
 Uma Igreja viva mantém seu olhar fixo em Cristo e nas pessoas. Não se preocupa, em primeiro lugar, com salões, festas e construções. Estes também têm sua importância, porém, não devem ocupar as melhores energias e nem os melhores recursos. Ocupa-se e investe nas pessoas. Prioriza o aprofundamento da Palavra de Deus e da fé católica. Promove cursos e acompanha pessoas e grupos num caminho de crescimento humano e cristão.
 A comunidade de fé não é uma multidão anônima, mas, como Jesus Bom Pastor, “conhece suas ovelhas e elas o conhecem” (Jo 10,14) e “chama cada uma por seu nome” (Jo 10,3). Ao mesmo tempo que cada um é único, porém, não podemos ceder ao perigo de uma fé intimista e desvinculada da comunidade. Não pode viver plenamente sua fé um cristão isolado, distante do “rebanho” e do Pastor. Mesmo com os desafios do novo ser humano que a cultura midiática produz, a fé cristã anuncia a boa notícia de que nada substitui o encontrar-se com Cristo e como irmãos, acolher-se mutuamente, ouvir um ao outro, rezar e celebrar juntos, festejar e divertir-se na comunidade. Como é belo quando um cristão diz, com alegria: esta é a minha comunidade.
A comunidade cristã também não é um grupo de pessoas que se consideram melhores do que as outras pessoas. A consciência da indignidade e da permanente necessidade da misericórdia divina faz a comunidade sentir-se humilde e sempre necessitada de conversão. Neste sentido, assenta sua segurança na graça e na misericórdia divinas, que nunca faltam.
Nossos leigos e leigas, com seus diferentes ministérios, juntamente com os religiosos e padres, mantém a vitalidade das comunidades. Parabéns a todos os servidores das comunidades pela celebração do vosso dia.


Dom Adelar Baruffi

Bispo Diocesano de Cruz Alta

Publicada em 24/08/2016 às 13:48:37

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