Missão permanente

 Retorno a este tema da missão permanente, que recentemente abordei. Não cansarei de insistir nisso, pois somos Igreja “em estado permanente de missão”. O Encontro Diocesano de Animação Missionária, que realizamos há poucos dias, nos animou para o anúncio, para ir: “o semeador saiu para semear a sua semente” (Lc 8,5). E quem anima é sempre o Espírito Santo que renova seu Pentecostes sobre cristãos e comunidades muitas vezes acomodadas à triste expressão “sempre foi assim”. Animados pelo Espírito, “todos somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor salvífico do Senhor, que, sem olhar para nossas imperfeições, nos oferece a sua proximidade, a sua Palavra, a sua força, e dá sentido à nossa vida. O teu coração sabe que a vida não é a mesma coisa sem Ele; pois bem, aquilo que descobriste, o que te ajuda a viver e te dá esperança, isso é o que deves comunicar aos outros.” (Papa Francisco, EG 121). É um anúncio positivo e alegre, confirmado pelo testemunho de vida de quem está no caminho do seguimento de Cristo. O evangelho que somos chamados a anunciar não são proibições, mas a pregação deve fazer aparecer o positivo de nossa fé, a beleza interior da fé cristã .É o amor pessoal de Deus que Se fez homem, entregou-Se a Si mesmo por nós e, vivo, oferece a sua salvação e a sua amizade.
 Além de animar, o encontro mostrou que devemos apostar mais em processos do que em ações isoladas. Eventos ajudam para animar, mas o importante é a continuidade da missão no local onde se mora, com as famílias vizinhas, acompanhando o cotidiano da vida das famílias. O missionário traz a marca do seu lugar onde vive e aí é presença da Igreja que anuncia o Evangelho. Por isso, traz a marca da simplicidade, sem muita propaganda, quase no anonimato. Ele é a presença mais próxima da Igreja em sua comunidade. É a Igreja que abre as portas para ir ao encontro das pessoas onde elas estão. Como Jesus, visita as pessoas nas suas casas, ouve, proclama a Palavra, reza e abençoa. Fica atendo e manifesta a misericórdia com os doentes e os idosos. Acompanha as famílias e encaminha para os grupos de reflexão, para o caminho de iniciação cristã e para a comunidade. Qual pastor, conhece suas ovelhas pelo nome e elas o conhecem (cf. Jo 10,14). Vai ao encontro de todos, acolhe e encaminha. Ninguém pode ficar esquecido ou excluído.  Neste caminho evangelizador, o protagonismo é dos leigos e leigas, que pelo seu batismo, são discípulos missionários. Enfim, “como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa notícia, que anuncia a salvação, que diz a Sião: Seu Deus reina”(Is 52,7).
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Com muito júbilo, a Diocese de Cruz Alta celebra e rende graças a Deus pelos 40 anos de episcopado de nosso bispo emérito, o estimado Dom Jacó Roberto Hilgert. Recebeu a ordenação episcopal no dia 26 de setembro de 1976 e pastoreou nossa Diocese por quase 26 anos. Muito semeou, incansavelmente. Marcou profundamente a vida eclesial e social de nossas comunidades. Agora, com 90 anos completos, vive a alegria do tempo da colheita. Deus, que sempre lhe foi fiel, lhe dê muitos anos para sentir a cada dia a alegria de uma vida que se fez doação e serviço ao povo de Deus. Convidamos a todos para celebrarmos junto com ele a missa de ação de graças, na Catedral Diocesana, no dia 25 de setembro, às 10h. Parabéns, Dom Jacó!
Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta
Publicada em 22/09/2016 às 10:53:10

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