Os símbolos que preparam para o Natal

Numa sociedade totalmente mercantilizada há espaço para os símbolos cristãos? Esta questão se faz sentir ainda mais nesta época do ano em que nos preparamos para a celebração do Natal, chamado de Tempo de Advento. O Natal é carregado de símbolos que lhe são próprios.
Na verdade, toda a fé cristã é simbólica, e o símbolo é a maneira humana mais adequada para expressá-la. O símbolo fala sem precisar ser expresso pela razão ou pelo conceito. Através de um sinal visível, desvela uma realidade invisível. Faz a mediação entre o visível e o invisível, entre a presença e a ausência. O símbolo tem a força de envolver, congregar. Ele nunca pode ser imposto, visto que precisamos nos reconhecer nele. É o ser humano que, na sua configuração cultural, cria símbolos e os reconhece como tais. Nosso Deus, pela sua Encarnação se abaixa à condição humana. Ele é reconhecido pelos pastores através de um “sinal” que os anjos comunicaram: “encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). Os magos do Oriente também se guiaram pelo sinal da estrela para chegar até o Menino Jesus (cf. Mt 2,1-12). Em Jesus de Nazaré, Deus falou a linguagem humana e viveu os acontecimentos da existência humana. Deus fala através do homem e de modo humano.
Sendo o Natal uma celebração eminentemente cristã, nos lugares onde o cristianismo está presente, alguns símbolos já foram acolhidos e integrados à cultura. Porém, a mudança cultural que vivemos, com frequência, descaracteriza ou substitui os próprios símbolos natalinos. Algumas cidades, pensando nas vendas ou em atrair turistas, enfeitam as ruas com muitas luzes, bem como o comércio. A luz, símbolo essencial do Natal, não tem o objetivo de produzir espetáculos, mas indicar aquele que São João anunciou assim: “A luz verdadeira, aquela que ilumina todo o homem, estava chegando ao mundo” (Jo 1,9). E o símbolo bíblico que a caracteriza é a estrela. Prolifera o Papai Noel e uma infinidade de produtos próprios da sociedade consumista, que na maioria das vezes, nada diz à nossa cultura ou ao nosso clima, como trenós, renas, neve e, até, gnomos. E o presépio, com sua simplicidade e forte acento bíblico, que desde São Francisco de Assis é o melhor símbolo natalino? Com tristeza, algumas vezes, constatamos a sua ausência nas cidades e nas casas neste tempo de espera do Natal. Ele retrata a pedagogia da espera, própria do Advento, pois vai sendo construído aos poucos, até culminar com o Menino Jesus, posto no berço para ele preparado, no dia de Natal. É ele o personagem central do Natal. Recordamos, ainda, a coroa do Advento, com suas quatro velas, que, progressivamente vai sendo acesa, indicando que aquele que é Luz está chegando. Nas portas das casas fixemos a estrela, que indica a família cristã que se prepara para o Natal. “Vem Senhor Jesus, esta família te espera!”, está escrito na estrela preparada para as dioceses do Rio Grande do Sul. Temos, ainda, a árvore natalina, da tradição alemã, que indica, na sua origem, que o inverno do hemisfério norte não é capaz de acabar com a vida, e Cristo é a Vida que chega. Como não recordar os cânticos natalinos, que têm sua mística própria e nos conduzem à alegria pela chegada do Salvador. Enfim, os símbolos devem apontar e conduzir para o acontecimento central do Natal: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador” (Lc 2,11). Sabemos que os símbolos, por si só, não são suficientes para esperar adequadamente o Natal, mas eles exercem uma função pedagógica, eles nos envolvem e conduzem ao que eles trazem presente. Com certeza, os símbolos não são em si neutros, mas expressam convicções e são imprescindíveis na formação humana e cristã.


Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

Publicada em 14/12/2016 às 09:29:29

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