A família transmissora da fé

Artigo - A família, responsável pela educação integral dos filhos, exerce uma função evangelizadora. A transmissão da fé é um grande desafio e, também, a nossa maior alegria: "Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher!" (DAp,17). Claro que a fé é sempre um dom de Deus, que recebemos no batismo. Mas são os pais que, normalmente, apresentam os filhos à comunidade para serem batizados e, neste gesto, manifestam o desejo de transmitir-lhes a herança da fé que eles vivem. Sabemos das dificuldades que existem hoje seja por causa das muitas ofertas de caminhos de fé que a sociedade apresenta, bem como pelas dificuldades familiares, que nem sempre vivem e testemunham a fé que professam. O certo é que a vida cristã exige um percurso de amadurecimento da fé. Nos é pedido uma opção livre, consciente e decidida como discípulos de Jesus Cristo. Por isso, faz-se necessário, em cada etapa da vida, conhecer a Palavra de Deus, encantar-se por Jesus Cristo e seu Evangelho, permitir que o Espírito Santo guie nosso caminho. Os pais são instrumentos de Deus neste processo de maturação e desenvolvimento. “É bonito quando as mães ensinam os filhos pequenos a enviar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisto! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração.”, nos disse o Papa Francisco (Catequese, 26/08/2015). Cada vez mais, os avós contribuem neste processo de educação da fé, visto que os pais, normalmente, estão mais ocupados com suas profissões.

A Sagrada Escritura nos diz que “cada pai contará a seus filhos teus gestos de amor sempre fiel” (Is 38,19). Não podemos permitir que a vida profissional tire o necessário tempo da família viver sua fé. Muitas vezes, porém, trata-se de uma indiferença religiosa, de quem, mesmo batizado, vive sem ter a alegria de conhecer Jesus Cristo e ser seu discípulo. Como toda educação tem no testemunho sua primeira fonte, é fundamental que os filhos vejam nos pais o interesse pelo cultivo de sua fé. O meio principal é o vínculo com uma comunidade de fé, onde aprofunda-se a Palavra, celebra-se a Eucaristia e vive-se a caridade. Os pais devem levar seus filhos para o encontro dominical e para o grupo de reflexão da Palavra de Deus. Os filhos irão compreendendo, desde crianças, que a fé cristã é importante para a vida e que ela é vivida na família e numa comunidade. Não é possível ser cristão desvinculado dos irmãos de fé. O domingo não pode ser reduzido a um dia de descanso do trabalho, nem as principais festas religiosas a um feriado.

A fé cristã é cheia de símbolos e ritos. É importante que nas casas estejam presentes os símbolos cristãos, num pequeno santuário do lar, onde a família se encontra para rezar. No ritmo cotidiano da vida não pode faltar o precioso momento da oração. A cada dia Deus nos fala através dos fatos da vida e, de maneira especial, pela página da Escritura que a Igreja nos apresenta. Que bom seria se esta Palavra fosse acolhida no início do dia, para ser meditada e alimentar, qual pão cotidiano, todas as atividades. Neste sentido, uma sugestão para os pais é presentear os filhos com a Sagrada Escritura e ajudá-los a familiarizar-se com ela. Cultivamos a certeza de que faz muita diferença a vida familiar com a constante presença do amor de Deus, manifestado no seu Filho Jesus, que sustenta em todos os momentos e etapas da vida. Enfim, repetimos as palavras de Josué: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24,15). Parabéns aos pais que se esforçam para viver a família como igreja doméstica e rezam incessantemente, como fez Santa Mônica, pelos filhos que se afastaram de Cristo.

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta


Publicada em 25/01/2017 às 08:40:02

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