Inteligência Coletiva

Quando falamos em internet, lembramos do quanto ela nos afasta uns dos outros, em especial, dos mais próximos. Ainda que possa facilitar a comunicação à distância, com pessoas que estão do outro lado do mundo, por outro lado, reduziu drasticamente a comunicação face-a-face. Ficou mais comum falar com alguém que está muito distante do que com quem está na sua frente.

Lembramos, também, que algumas pessoas ficam ‘perdendo tempo’ em redes sociais ou navegando sem rumo, quando poderiam estar produzindo ou se qualificando.

Contudo, existe um grupo de pensadores que encontra esperança no uso racional e direcionado da internet. Assim, novos termos são criados para falar das possibilidades oferecidas por esse novo ambiente de comunicação. O termo inteligência coletiva é um deles.

Inteligência coletiva é usado pelo pensador francês Pierre Levy para falar da capacidade humana de resolver problemas coletivamente. Essa capacidade existe desde que o ser humano começou a se comunicar. Faz parte da essência humana trocar informações, experiências. Ali, atua a inteligência coletiva.

Por inteligência, Levy não entende não apenas o que foi adquirido nos bancos escolares e na pesquisa, mas toda a vida de uma pessoa, suas experiências acumuladas. Considera as vivências de cada sujeito um tesouro de conhecimento que pode ser partilhado, colocado em comum. Dentro dessa perspectiva, Paulo Freire também dizia ninguém sabe mais e ninguém sabe menos, as pessoas tem saberes diferentes:“Ninguém educa ninguém. Ninguém educa a sim mesmo. As pessoas se educam entre si mediatizados pelo mundo”.

Segundo Pierre Levy, a inteligência coletiva sempre existiu. Porém, a tecnologia ampliou o circuito de relações e o contato de diversas pessoas de diferentes lugares. A troca de experiência, as diferentes opiniões e visões de mundo são capazes de resolver questões e problemas que uma única pessoa teria dificuldade de resolver. Usando esse raciocínio, Levy propõe um novo tipo de política e de democracia via o ambiente de interação criado pela internet (cyberespaço). Para ele, devido ao avanço da técnica e a existência de instrumentos sofisticados, haveria condições de se passar de uma democracia representativa (eleger alguém para defender nossos direitos) para a democracia direta (cada um seria capaz de decidir e votar naquilo que considerar importante). A internet e seus recursos seriam um ambiente de diálogo, argumentação e decisão democrática. Pierre Levy chama essa ideia de Cyberdemocracia.

A presente reflexão tem como objetivo a possibilidade de usar as novas tecnologias para novos conhecimentos, novas perspectivas. A internet não é somente uma ferramenta de comunicação, é um ambiente de relações sociais onde é preciso respeitar a opinião do outro, não estar garantido de que somente o que pensamos é verdade. Estar disposto a crescer com outros pontos de vista. Mais do que um meio de comunicação, é um ambiente de interação.


Pe. Eliseu Lucas de Oliveira

Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo – Ajuricaba

Publicada em 27/01/2017 às 14:25:07

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