O cuidado com os doentes

No dia 11 de fevereiro celebra-se a XXV Jornada Mundial do Doente. Esta data foi escolhida para ser celebrada no dia de Nossa Senhora de Lourdes. A Virgem Maria, na Gruta de Massabiel, na França, na sua aparição a Bernardete, em 1848, manifesta-lhe seu olhar misericordioso. Assim, todos nós e, especialmente os doentes, estamos sob o seu olhar materno e misericordioso. O Santo Padre escreveu uma Mensagem alusiva a este dia, com o tema: «Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)».

            Em sua Mensagem, o Papa quer, em primeiro lugar, “manifestara minha proximidade a todos vós, irmãos e irmãs que viveis a experiência do sofrimento, e às vossas famílias, bem como o meu apreço a quantos, nas mais variadas tarefas de todas as estruturas sanitárias espalhadas pelo mundo, com competência, responsabilidade e dedicação se ocupam das melhoras, cuidados e bem-estar diário de todos vós.” Os doentes são, muitas vezes, os que a sociedade descarta. São os sobrantes. Junto com as crianças, os idosos, os portadores de necessidades especiais, os doentes pedem de todos nós, e do Estado, um olhar especial. Parece tão óbvio, mas o Papa reafirma que “cada doente é e permanece sempre um ser humano, e deve ser tratado como tal. Os doentes, tal como as pessoas com deficiências mesmo muito graves, têm a sua dignidade inalienável e a sua missão própria na vida, não se tornando jamais meros objetos, ainda que às vezes pareçam de todo passivos, mas, na realidade,nunca o são.” Ainda, em sua Mensagem, pede que alarguemos nosso olhar para “encontrar novo impulso a fim de contribuir para a difusão duma cultura respeitadora da vida, da saúde e do meio ambiente; encontrar um renovado impulso a fim de lutar pelo respeito da integridade e dignidade das pessoas, inclusive mediante uma abordagem correta das questões bioéticas, a tutela dos mais fracos e o cuidado pelo meio ambiente.” O Estado não pode se omitir desta grave responsabilidade com a saúde da população, deixando os mais necessitados desassistidos ou não repassando os recursos necessários.

            O cristão encontra em Jesus o modelo da proximidade sem preconceitos e do cuidado com os doentes. Ao falar da missão de Jesus, Mateus diz que “Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles,anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo” (cf. Mt, 4,23). E ao descrever o que está realizando, Jesus diz:“cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa Nova.” (Lc 7,22). Seu amor de predileção pelos enfermos continua na missão dos cristãos. No decorrer dos séculos nunca faltou a presença e proximidade misericordiosa da Igreja nas diversas situações de sofrimento humano. Muitos se destacaram por um serviço anônimo nos hospitais, casas geriátricas, presídios, orfanatos e tantas outras iniciativas. As congregações religiosas sempre olharam com carinho para esta missão. Hoje agradecemos a Deus a presença misericordiosa de todos os que, qual Bom Samaritano, se inclinam sobre o sofrimento alheio. Que bela é a missão da Pastoral da Saúde e dos visitadores dos doentes nos hospitais e em suas residências. Inspiradoras são as palavras de Santa Madre Teresa de Calcutá, que doou sua vida e se identificou totalmente com os doentes: “Eu vejo Jesus em cada ser humano. Eu digo para mim mesma: este é Jesus com fome, eu tenho que alimentá-lo. Este é Jesus doente. Este tem lepra ou gangrena; eu tenho que lavá-lo e cuidar dele. Eu sirvo porque eu amo Jesus.” Que a Virgem Maria, Nossa Senhora de Lourdes, estenda seu olhar materno a todos os doentes.

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta

 

Publicada em 10/02/2017 às 18:11:40

Mitra Diocesana - Rua Duque de Caxias, 729 - Cruz Alta RS, 98005-200 - (0xx)55 3322-6920