CNBB lança campanha para acesso imediato ao tratamento para o HIV

Brasília, 29 de novembro 2016.
Tema Central: “JUNTOS PODEMOS CONSTRUIR UM FUTURO SEM AIDS”
Estão presentes no lançamento desta campanha: o Secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, Sr. Adeilson Loureiro Cavalcante – Secretário de Vigilância em saúde, Departamento das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Drª Adele Benzaken, o Secretário Executivo da Pastoral da Aids, Frei José Bernardi e o assessor da Pastoral da Aids, Frei Luiz Carlos Lunardi em gestão cessante, Ana Carolina Barbosa de Souza e o Pe. Mauro Sergio Marçal, que recentemente assumiram estas funções na Pastoral da Aids. Agentes pastorais e outras autoridades e representantes de organizações ligadas a luta contra a Aids.
Esta proposta de campanha se construiu a partir da percepção de que há um momento favorável na Igreja com o Papa Francisco que convoca as lideranças católicas a irem às periferias existenciais e a partir do esforço global lançado em Paris. A expectativa da Unaids é de até 2030, diminuir o número de novas infecções a níveis não epidêmicos, cumprindo a meta 90-90-90, onde 90% de todas as pessoas com HIV saibam sua sorologia, ou seja, tenham feito seu diagnóstico; que 90% das pessoas diagnosticadas sejam tratadas e estejam vinculadas ao serviço de saúde; que 90% das tratadas fiquem carga viral indetectável, evitando doenças oportunistas e reduzindo as chances de transmitir o vírus. A partir desta perspectiva a objetivo da CNBB com esta campanha é fazer com que as pessoas procurem o diagnóstico e comecem o tratamento ao se descobrirem com HIV. A proposta consiste em continuar com a campanha Incentivo ao diagnóstico precoce, lançada em 2014 acrescentando com mais ênfase o aspecto do tratamento para todos os que se descobrem com HIV.
O que nos move a fazer o que fazemos? 
O tempo mudou e exige dinamicidade, leveza, criatividade e liberdade. Não podemos andar empurrados pela realidade, nem andarmos ao sabor das conjunturas. Precisamos andar motivados pela esperança com capacidade de dialogar com o futuro e de aproximá-lo.
A Pastoral da Aids é um serviço ativo que a partir de seus agentes, sujeitos de relações, constroem pontes, criam possibilidades, se inserem nas mais diversas realidades e executam as ações de prevenção, acompanhamento e incidência política.  
A Aids ainda é um grande desafio para a sociedade. Por isso, esta campanha que está sendo lançada é importante porque alerta para a necessidade do engajamento de todos na luta contra a aids, anuncia de forma direta que conhecer a sorologia precocemente e fazer o tratamento de forma adequada é também uma forma de prevenção, pois diminui a transmissibilidade do vírus.
A campanha aproveita a capilaridade da Igreja e a rede de agentes pastorais nas comunidades, que estão próximos das populações mais diferenciadas. A Pastoral da
Aids tem um quadro de agentes nas dioceses e comunidades que respondem pela temática da Aids pela Igreja católica. Executam diferentes ações de prevenção, de informação, de acolhimento e acompanhamento das pessoas que vivem com HIV e Aids e seus familiares. Trabalham de forma complementar com os Programas de Aids nos municípios e Estados, e na Pastoral de Conjunto estabelecendo parcerias com outros grupos, Movimentos e Pastorais. 
De forma voluntária, os agentes são o braço da Igreja e o rosto misericordioso de Deus que estende a mão a quem necessita de ajuda, são a rede de cuidado compartilhado que chega onde, muitas vezes o serviço de saúde ainda não chega. O alerta para o cuidado e a prevenção é um impulso para que se possa vencer a epidemia que ainda avança. 
Acreditamos que é possível vencer a epidemia com contribuição de todos. "Nós podemos construir um futuro sem Aids". Além de incentivar a testagem precoce e não apenas quando a doença já esteja em estágio avançado, a campanha quer enfatizar que todas as pessoas que se descobrem com HIV podem ter acesso ao tratamento, estratégia fundamental para evitar danos à saúde e reduzir a transmissão do vírus.
A epidemia da aids é complexa, multiforme e não pode ser vencida por uma estratégia única ou por um só ator social. Por isso é muito importante que os agentes de pastoral da Igreja se envolvam nesse esforço para diminuir as taxas de incidência de HIV, que significa menos gente sofrendo com uma doença que pode ser evitada. 
As ações de cunho comunitário das pastorais, grupos e movimentos da Igreja Católica têm contribuído significativamente na resposta ao HIV com ações entre populações mais vulneráveis. O incentivo ao diagnóstico precoce e acompanhamento para o tratamento vem se intensificando entre os agentes das Pastorais.
Situação atual da Aids:
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), estima que 36,7 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV ao redor do mundo, 57% sabem que são soropositivos e apenas 46% tem acesso ao tratamento. Além disso, o levantamento mostra que 1,1 milhão morreram em decorrência de doenças relacionadas à AIDS, entre 2010 e 2015. No Brasil, estima-se que 830 mil pessoas têm o vírus. Desses, somente 55% fazem o tratamento. Os dados revelam ainda que em média 44 mil novos casos são notificados por ano, entre 2010 e 2015, 15 mil mortes por ano, em média, foram em decorrência da doença. Segundo a Unaids, 40% das infecções da América Latina estão concentradas no Brasil. 
A epidemia no Brasil já tem 30 anos, em 1980 surgiram os primeiros casos e rapidamente se alastrou por todas as regiões do Brasil. A epidemia da Aids, hoje é considerada uma epidemia estabilizada, mas em alguns estados a doença se alastra com índices altos de novas infecções. O HIV atinge todas as camadas sociais e todos os perfis populacionais. Na resposta Brasileira se direciona atenção especial a algumas populações específicas, também chamadas populações-chave. 
A faixa etária em que a aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade embora haja casos em todas as idades. Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998. 
Em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV. Atualmente a diferença entre casos em homens e mulheres vem diminuindo. Em 1989, a razão de sexos era de 6 casos de aids no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2011, último dado disponível, chegou a 1,7 caso em homens para cada 1 em mulheres.
Em nível mundial houve um decréscimo no número de novas infecções e de óbitos, especialmente nos países onde a população tem acesso ao tratamento.
A Aids, ainda hoje, é marcada pelo estigma e preconceito propagados no início da epidemia. Embora se tenha obtido avanços, as pessoas tendem a postergar o exame, pois ainda está presente a ideia de que ter HIV é sinônimo de morte e comportamento promíscuo.  
Diante deste quadro percebe-se que é preciso investir permanentemente em ações de informação e orientação para toda a população e ter um olhar diferenciado para as populações com risco acrescido. Não bastam ações e campanhas pontuais. Diante do quadro da epidemia são necessárias ações permanentes tanto no acolhimento, na informação, na orientação para facilitar o acesso a rede de saúde e tratamento quanto na superação do estigma e do preconceito 
A campanha tem um forte apelo de prevenção no sentido de alertar sobre a epidemia e manter visível a questão da Aids nas comunidades, nos grupos, na rede de saúde e nos meios de comunicação. Ela mostra que é melhor prevenir, que fazer o teste também é uma forma de prevenção, pois diminui o poder de transmissibilidade do vírus, e buscar orientação médica e tratamento em caso de infecção evita complicações de saúde e reduz custos para o sistema de saúde com doenças oportunistas. 
A igreja Católica tem uma capilaridade, fala com a população em geral em diversos meios todos os dias, acolhe as pessoas de forma solidária, ainda tem credibilidade, é reconhecida como um espaço de ajuda e alento na hora da necessidade e dor. Está envolvida com casas de apoio, Centros de Convivência e diversos serviços desde o início da epidemia. Ela chega em áreas de risco, pobreza e vulnerabilidade onde, muitas vezes, a rede de saúde ainda não chega. 
A mensagem que oferecemos à população é simples e objetiva. Somos humanos, portanto vulneráveis a qualquer doença. Diante disso, vem a orientação: se adoecer, busque os serviços de saúde; se precisar faça bem seu tratamento e continue vivendo e lutando por seus sonhos. 
Nesta campanha, se quer atingir 90 municípios prioritários onde há maior vulnerabilidade e ainda crescem os novos casos. Através de diversos meios a população será informada e orientada a se prevenir, buscar o teste e o tratamento, se necessário.
Este ano, a campanha terá como protagonista a cantora Fafá de Belém. A contribuição dela é importante, por sua expressão nacional, por ser da região norte – onde há um alto índice de novas infecções - e por atingir a população feminina, atualmente atingida fortemente pela infecção pelo HIV e, por isso, também alvo da campanha. 
Abrangência e materiais utilizados na realização da campanha: Nesta campanha a Igreja assume o compromisso de mobilizar os agentes pastorais para o incentivo ao diagnóstico oportuno e para o acompanhamento das pessoas em tratamento.

Pretende-se uma campanha:

•Simples, leve, mas com maior impacto social. • Abranger todas as capitais • Dioceses de grandes centros urbanos fora das capitais • Envolver as Pastorais da Igreja Logística:
• 01 material impresso (cartaz e folder informativo) • 04 spots para rádios (a Pastoral se encarrega destes spots) • 01 VT para TV • Pequenos vídeos e material para internet e redes sociais


Outras informações Frei José Bernardi 51 991565248 secretario@pastoralaids.org.br  Frei Lunardi 51 992719143 assessor@pastoralaids.org.br 


Publicada em 09/12/2016 às 13:43:01

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