Diocese de Cruz Alta comemora 44 anos

Há 44 anos era instalada, oficialmente, a Diocese de Cruz Alta. Criada em 27 de maio de 1971, pelo Papa Paulo VI, com a Bula Papal “CUM CHRISTUS, mediante esforços de várias pessoas, a instalação ocorreu no dia 28/01 de 1973, juntamente com a posse de seu primeiro bispo diocesano, Dom Paulo Moretto, ordenado e empossado na Catedral Divino.

Dom Adelar Baruffi, 4º Bispo da Diocese de Cruz Alta, que assumiu em 15 de março de 2015, fala sobre estes quase dois anos como Bispo Diocesano.

Qual foi sua primeira impressão e como o senhor vê a Diocese, hoje, estando a frente nestes quase 2 anos, como Bispo Diocesano?

R: Recordo-me as palavras de Dom Hélio Adelar Rubert, que no dia da minha posse canônica, 15 de março de 2015, disse-me: “A casa é tua”. A primeira impressão, que ficou muito marcada, foi a da acolhida, generosa, de braços largos. Aos poucos, fui conhecendo os padres, primeiros colaboradores, os religiosos, os leigos, os vocacionados, as instituições e forças vivas presentes na Diocese. Logo percebi que havia uma rica história que foi construída com a participação de toda a Diocese. Procuro respeitar esta história, com um desejo sincero de ser uma Diocese inspirada no espírito do Concílio Vaticano II: compreendida como povo de Deus; todos com igual dignidade, a partir do único batismo que nos faz ser uma grande família; com os leigos assumindo seu lugar na Igreja, nas comunidades e na sociedade; sendo uma Igreja missionária; somando esforços na evangelização e no anúncio da Palavra de Deus; apostando nas comunidades como lugar vital para ser cristão, para encontrar-se, conviver, rezar juntos, celebrar os sacramentos, fortalecer a fé; aproximando-se com misericórdia das diversas realidades de sofrimento. Precisamos continuar o caminho da participação consciente dos leigos nos diversos conselhos pastorais e administrativos, nas comunidades, paróquias e Diocese. Assim, os rumos que a Diocese toma são sempre dialogados, fundamentados nas orientações do Papa e da Igreja no Brasil e decididos nas diversas instâncias diocesanas. 

O ano de 2016, sobretudo, com o início das Visitas Pastorais, foi um mergulho na vida do povo da Diocese. Foram visitadas 13 paróquias, somando 308 comunidades. Para os próximos dois anos, existe o projeto de concluir a visita a todas as paróquias e comunidades da Diocese.

O Bispo lembra, também, que estamos vivendo as comemorações dos 300 anos da devoção a Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem trazida do Santuário Nacional ainda está peregrinando por todas as comunidades da Diocese. Na Diocese, a celebração do centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, neste ano, assume um lugar especial. No decorrer do ano acontecerão momentos marcantes nas paróquias, que culminarão na grande romaria diocesana do dia 08 de outubro.

Diante destes 44 anos de instalação da Diocese, existe algo que é preciso ser feito e que o senhor pretende fazer?

R: O bispo toma decisões de maneira colegial. Assim, a probabilidade de errar é menor. É minha missão propor, incentivar, apoiar e congregar para caminharmos juntos, na comunhão diocesana. O principal projeto de ação que a todos nos une é nosso 19º Plano de Ação Evangelizadora (2016-2019). A Assembleia Diocesana de novembro de 2016 sublinhou o foco de nossa Diocese: a iniciação à vida cristã, isto é, a partir dos diferentes projetos e caminhos propostos pela Diocese, ajudar nossos batizados a serem bons cristãos, discípulos missionários de Jesus Cristo. Nisto toda a Diocese está se empenhando e encontrando os melhores caminhos para tornar concreta esta necessidade de conhecer, aprofundar e rezar a Palavra de Deus, que proporciona um encontro com Jesus Cristo, numa comunidade de fé que acolhe a todos, de crianças a anciãos. Temos um tesouro precioso a apresentar a nossos jovens, que oferece o sentido e um projeto de vida realizador. Queremos ser presença de quem se faz próximo, acompanha o caminhar, escuta e ajuda a discernir a vontade de Deus em sua vida. Sem esta proximidade com a vida das pessoas não cumprimos nossa missão evangelizadora. Sonhamos que as comunidades se preocupem em primeiro lugar com a formação das pessoas e com os pobres, antes que com estruturas materiais, mesmo que as básicas sejam necessárias. 

Hoje é possível ver e sentir algumas mudanças na Diocese, como, por exemplo: a criação do Santuário Diocesano. O que se pode esperar para os próximos anos?

R: A criação do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Fátima, almejado pelo povo há mais tempo, tem como objetivo proporcionar uma melhor acolhida e acompanhamento dos milhares de devotos de Maria que lá se dirigem. Teremos, a partir de março, um padre que lá estará para acolher, orientar, ouvir confissões e celebrar.

Além disso, destaco a nova modalidade de acompanhamento dos vocacionados ao sacerdócio até seu ingresso no Seminário. Já foram criados, com a participação dos animadores vocacionais leigos, padres, irmãs e seminaristas, três Grupos Vocacionais: em Cruz Alta, em Ijuí e em Panambi. Para este ano está sendo pensado na criação de, pelo menos, mais um. Os Grupos Vocacionais reúnem os nossos seminaristas menores, normalmente durante o tempo do ensino médio, e oferece-lhes a oportunidade de discernir e aprofundar o chamado que Deus lhes faz para serem padres. Retomamos, neste ano, o Curso Propedêutico, com dois novos seminaristas, em Ajuricaba. Isto nos traz muita esperança de que, no futuro, a Diocese tenha mais padres para servir o povo de Deus de nossas paróquias. 

A Assembleia Diocesana de 2016, também, aprovou o início do processo de encaminhamento do Diaconato Permanente em nossa Diocese. O diaconato é uma vocação, um dom de Deus. Destina-se a homens, com mais de 35 anos, que podem ser casados. Estes, após um tempo de formação (intelectual, humana, pastoral e espiritual) recebem o sacramento da ordem para servir as comunidades. Será um importante auxílio nas paróquias, pois estes Diáconos formarão equipe com os padres e leigos, somando na evangelização. Este processo ainda está iniciando e requer muito estudo e debate com os leigos e padres das paróquias. 

Que mensagem o senhor deixaria para o povo da Diocese de Cruz Alta?

R: Quem é a Diocese de Cruz Alta? Que cada batizado, católico, se sinta membro vivo desta grande família e diga, com alegria, “eu sou católico e sou desta Diocese”. A alegria de ser cristão deve se irradiar no testemunho de vida, sobretudo nas famílias e comunidades. O refrão do canto missionário, tantas vezes entoado com ardor, resume o espírito que nos move: “Sou batizado, sou cristão e sou feliz. Sou missionário e aonde vou levo Jesus. A quem tem sede minha mão vou estender. Como um braço de um rio por onde passa faz viver”.


A DIOCESE DE CRUZ ALTA

A Diocese de Cruz Alta abrange um território de 34 municípios com uma superfície de 16.704,01km, e uma população em torno de 382.168 mil habitantes.

Situada no noroeste colonial do Estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Cruz Alta.

Pastoralmente está dividida em cinco regiões de pastoral: Região de Cruz Alta, Região de Ijui, Região de Panambi, Região de Espumoso e Região de Soledade.

UM POUCO DA HISTÓRIA

Com objetivo de preparar a Diocese de Cruz Alta, em 1º de janeiro de 1969 o bispo de Santa Maria, Dom Luiz Vitor Sartori, criava o Vicariato Episcopal de Cruz Alta, nomeava Vigário Episcopal Monsenhor Frederico Didonet. Desde o início, o Vigário Episcopal teve a preocupação no sentido de lançar as bases da futura diocese. Além das questões materiais, queria fazer uma nova igreja local com expressão de fé e comunhão. 

Neste sentido, organizaram um curso para o clero. O estudo foi baseado nos documentos do Concílio Vaticano II, em seus aspectos teológicos, pastorais e organizativos.

Os encontros para os estudos resultaram num documento publicado no dia 18 de maio de 1971, nove dias antes da criação da diocese (27 de maio de 1971), intitulado “Perspectivas para uma pastoral engajada – Diocese de Cruz Alta".

A 30 de junho de 1969, o então Bispo de Santa Maria, Dom Luiz Vitor Sartori, propôs aos Bispos do Rio Grande do Sul, reunidos em Viamão, a criação da nova Diocese. O assunto foi amplamente debatido aquele ano. Em 7 de fevereiro de 1970, o senhor bispo de Santa Maria, Dom Luiz, assinava oficialmente a nomeação da comissão pró-bispado.

Apesar das dificuldades encontradas, o Vigário Episcopal formalizava a aquisição do patrimônio necessário para  implantar a diocese. Em 30 de novembro de 1970 foram feitos os necessários encaminhamentos para a construção da residência episcopal. Para o funcionamento do secretariado diocesano de pastoral se fariam as necessárias reformas no prédio adquirido junto à Paróquia do Divino Espírito Santo.

No dia 27 de maio de 1971, com a Bula Papal “CUM CHRISTUS”, foi criada a diocese de Cruz Alta, pelo Papa Paulo VI. Simultaneamente foi nomeado Bispo da nova diocese, Dom Walmor Battú Wichrowski, que renunciou antes mesmo de assumir o cargo.

Dom Aloísio Lorscheiter, secretário geral da CNBB e bispo de Santo Ângelo, acompanhava, em nome da Nunciatura Apostólica, os interesses havidos. No dia 8 de julho de 1971, após contato pessoal com o Sr. Núncio Apostólico e Dom Érico Ferrari, novo Bispo de Santa Maria, comunicava ao Vigário Episcopal o adiamento da instalação da diocese e posse do seu primeiro bispo. Foi extinto o Vicariato e continuava a jurisdição da nova diocese aos cuidados do bispo de Santa Maria, Dom Érico Ferrari.

Todas as atividades desenvolvidas durante o ano de 1972, em preparação à chegada do novo bispo foram repletas de entusiasmo. O Pe. José Jungblut, como delegado, mantinha contato permanente com as autoridades eclesiásticas para apressar a nomeação do novo bispo.

Tudo andava em ritmo de diocese que estava nascendo da própria realidade regional. A Romaria passou a ser preocupação da diocese que surgia, porque esse movimento religioso sempre foi um importante instrumento de evangelização.

No final de 1972, a comunidade recebia a noticia da nomeação do Pe. Nei Paulo Moretto, reitor do Seminário Maior de Viamão, como o novo bispo de Cruz Alta. Prepararam tudo para a ordenação do Pe. Nei que pedia para que a celebração de ordenação episcopal se realizasse na Catedral do Divino Espírito Santo, no dia 28 de janeiro de 1973. No mesmo dia da ordenação tomava posse o primeiro bispo de Cruz Alta, Dom Nei Paulo Moretto, e foi instalada definitivamente a diocese de Cruz Alta.

(Histórico retirado do livro de Dom Zeno Hatententeufel, História da Igreja no Brasil e no Rio Grande do Sul. Ed. Pluma, F. Westphalen, 2007, p.126-129) 


Publicada em 20/02/2017 às 11:26:48

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